8/31/05

O Porquê dos Colégios de freiras...

...porque não.

A vida nunca mais é a mesma. Logo ali algures entre os 7 e os 8 anos de idade ia-me perdendo para todo o sempre nas malhas deste mundo. Meti na cabeça que havia de ser freira e a loucura temporária levou-me a um esforço sobrehumano para tentar ser uma pessoa...melhor. (IUC!) Na época achava que ajudar a pôr a mesa no refeitório à hora de almoço enquanto os outros já se ensaiavam no bate pé era a melhor forma de agradar a irmandade e mostrar a minha profunda vocação. Felizmente passou-me rápido. Mas por algum tempo os meus pais julgavam-me perdida e já diziam adeus a netos e à continuação da linhagem.

Entretanto conheci uma coisa nova e gira -o sexo oposto- e gostei. Achei que ser noiva de cristo nunca poderia chegar aos pés da sensação do meu primeiro beijo...que foi mais ou menos. No segundo beijo (muuuuito tempo depois) já estava completamente rendida e determinada a abdicar do chamamento do Senhor. Desde que fosse uma relação aberta e descomprometida podíamos sempre ir falando de vez em quando. Agora rezava apenas por um rapaz com uma altura acima do meu peito. Já então me parecia um pouco doentio estas dinâmicas quase maternais, além das incómodas dores no pescoço. Resolvi despachá-lo uma vez que me surpreendeu na casa de banho a lavar os dentes. Como estava curvada foi a única vez que me beijou ao mesmo nível e recordo com muita ternura aquele ósculo dentagard mas mesmo assim resolvi pôr um ponto final ali mesmo no lavatório. Tá bem, os enormes olhos verdes ainda me convenceram até à porta mas depois fui firme. Firme.


Mas porque é que falo dele? Porque foi de facto importante para me desviar do caminho da eterna santidade e como tal guardo-lhe um carinho e uma gratidão imensas e, depois das últimas notícias que tive, até mesmo alguma compaixão. Consta que numa noite de grande bebedeira resolveu descer -qual bombeiro- um poste de uma bandeira cheio de ganchos e bom..como dizê-lo...não digo, tadinho do meu menino. Fica só a homenagem. (Continência!)

Mas adiante, as marcas que ficam da doutrinação de um colégio católico são terríveis, não as da menina dos 7 olhos porque na minha altura já não se usava tortura medieval para controlar a indisciplina mas a nível psicológico a coisa é mais impactante ainda. É que aqueles pinguins matreiros conseguem mesmo fazer de nós pessoas...decentes...e rectas....e coiso. Ainda hoje dou comigo a levantar-me se entra alguém mais velho na sala, a aguentar conversas de chacha até à exaustão nervosa por pura educação e, fora as vezes que acordo com uma bengalada por adormecer nos assentos prioritários, sou incapaz de não dar o lugar no autocarro a um idoso. Não fumo se ouver uma criança perto de mim e abro sempre a porta aos mais velhos. Digo ‘por favor’ em vez de ‘faxavôr’ e ‘obrigada’ em vez de ‘tasse’. E choco-me com certas coisas, não por esquisitise mas porque abala os meus alicerces mais vincados de pessoa.

Ainda este verão, deitadinha na paz dos anjinhos na relva junto à piscina, um grupo de adolescentes veio sentar-se na zona onde estava. Um deles mais tímido falava ao telefone com uma amiga com quem claramente mantia um je ne sais quoi. O pobre era assediado pelo grupo o todo tempo com perguntas incómodas. Ele defendia-se como podia. Atirava-lhes bocadinhos de relva para os afastar. Mas nem isso os demoveu!!! Mal desligou o telefone foi assaltado por perguntas com um dialecto não reconhecido pelos meus ouvidos e pela minha alma incrédula... "Então e já lhe saltaste ao pi..." Era quando os phones saltavam abruptamente para os meus ouvidos e o meu cérebro mudava de posto para o som detached de cake, proveniente do meu discman. Os achaques hormonais não justificam a falta de polimento nem são suficientemente interessantes para se sobreporem à minha música. Nem com todo o interesse sociológico que possa ter estes agrupamentos de rufias. Os seres humanos andam de facto insuportáveis!! E às vezes sinto-me terrivelmente deslocada. Não éramos santos, mas para nós ousado era fazer um balão com três supergorila na boca sem morrer engasgado...ou conseguir fazer a Irmã L. rir-se das nossas anedotas porcas e não bufar que nos tinha visto a fazer cábulas 5 minutos antes dos testes. Agora isto?!? Foda-se.

Voltando ao que interessa, para além desta fasquia que se impõe ao próprio comportamento as expectativas dos outros são terríveis também. Recentemente em conversa com um rapaz ele dizia-me que imaginava as meninas de colégio com saínha ao xadrez, camisinha branca, trancinhas e tabaco escondido nas meias. Ora a sinceridade que me assiste (Não mentirás!) obrigou-me a desmitificar logo ali a coisa e dizer-lhe que na realidade não era bem assim. Não havia fardas desde o 25 de abril. Ninguém usava tranças a não ser alguns freaks e alguns gajos de barba do metal. As raparigas podiam vestir tanto mini saias-cinto como saia comprida até aos pés, camisas nem no inverno e que não eram as esgazeadas, recalcadas, muita malucas que se imagina porque os colégios já são quase todos mistos; portanto, a imagem da menina que quer levar açoites era apenas um mito difundido pela indústria pornográfica e "comprado" por homens impressionáveis, que veêm nesta imagem uma possibilidade mais aceitável de canalizar a sua veia sádica. Nunca mais o vi.

Mas isto tudo para concluir que andar num colégio com vinculação religiosa marca qualquer um. Torna-mo-mos pessoas com um sentido de responsabilidade tremendo enquanto cidadãos e embuídos num espírito de coesão e amor pelo próprio...AMOR PELO PRÓXIMO...que se baralha subitamente quando numa discoteca alguém nos pergunta se estamos interessados num threesome ou mesmo num bacanal:

- Er...desculpa lá pá. Não tenho um coração assim TÃAAAAAAAAAAAO grande.


...


Pai! Porque é que me abandonaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaste????

8/28/05

Acerca do conceito 'Mafalda' ...um post de fusão.

Não sei que blog hei-de ser quando crescer.
Não quero ser um blog poético nem político. Não quero ter a mania que sou irreverente mas também não quero ser igual a todos os outros. Quero ser eu.
Raios!! Acho que cheguei à bloguescência...


8/25/05

É pró menino e prá menina!!!

Hoje falo especialmente para as mulheres. Mas falo especialmente para os homens.
O assunto que trago é delicado todavia emergente. Parece-me até que, uma vez descodificado este mecanismo, estaremos mais um passo à frente na busca pelos segredos da comunicação entre homens e mulheres. Assim como uma espécie de composição do genoma humano mas transposto para o enlace entre os sexos. Adiante...o assunto.
Meus senhores, senhoras, cavalheiros, meninas, pré-púberes, adolescentes insuportáveis e estudantes universitários com as hormonas aos saltos, vou-me deter durante algumas linhas com o fenómeno: CHAPADA NO RABO.


Este é um fenómeno universal e não há homem que não o manifeste. Faz parte do repertório. Suponho até que isto seja um dos itens d'A conversa que os pais têm com os filhos homens: "Filho, os pássaros fazem-no...as abelhas também...e à chapada também sabe bem."

Bom, ele há-os de muita forma e feitio mas devo informar os portadores de testosterona que, fora as mulheres que acham a sua piada a levar um ‘tapinha’ durante o acto, a norma diz que a mulher não gosta deste comportamento masculino seja em que circunstância for. Aliás parece-me claro que o dito movimento serve mais a exuberância da masculinidade (à semelhança de pavão) do que propriamente a um contacto proveitoso e prazenteiro entre macho e fêmea. Entremos agora em contacto com as nossas emoções. (Não, isto não foi copiado de um livro de auto-ajuda americano)

O que é que a mulher sente quando de repente é surpreendida por trás (coitada!) e vai parar ao outro lado do passeio com a chapada ‘rabial’ do companheiro? A primeira é: ’Hoje à noite palpita-me que vou estar com dores de cabeça’ e a Segunda é: ‘palpita-me que esta semana vou estar com dores de cabeça’. Veêm as consequências? O que não põe em causa que as mãos do homem amado seja das coisas mais apreciadas pela mulher. (O decouro exige não explorar este tema)

Vamos à génese do problema. Tudo começa aquando do nascimento. Há coisa mais drástica e traumática que levar uma chapada no rabo de um caramelo que se acabou de conhecer?!...Então e o romance...e o carinho caraças?? É assim tudo a seco? E que ainda por cima o faz para provocar choro?! E nem vamos entrar no traço sado-masoque que isto pode deixar na personalidade. Pois é...mas e o que é acontece depois? São as palmadas por ir aos comprimidos da mãe; por ouvir músicas com ‘parental advisory’ antes de tempo; por ser apanhada a fumar coisas ilegais; pelo primeiro namorado que pintou o cabelo de azul ‘cueca’; pelas marcas das botas de tropa que denunciam uma filha bem mais experiente que os pais na performance sexual... Veêm o problema que se instala?! Veêm o que tem sido a minha vida???!!Snif...

E de repente aparece aqui a figura namorado/companheiro/amigo colorido/marido que vem reforçar esta coisa toda com o seu spáaaaaaaaaaaaaaaaaa.
Au!

É.

Portanto, homens deste mundo. Atenção nisto: quando vier aquele instinto de abrir a mão por trás e acertar no rabiosque da mais-que-tudo com o brio de quem joga bowling...pensem duas vezes e a meio caminho suavizem o balanço, passem a mão leve e discretamente mas de modo firme pelas nádegas roliças da companheira. Qualquer mulher gosta de um atrevimentozinho privado no corredor de supermercado e que a surpreenda enquanto compara o preço das lixívias. Isso sim.
Ficámos entendidos? E agora com licença porque ultimamente não aguento muito tempo sentada...




E ando eu há uma semana a rir-me desta...

- Ó MANHIIII...LÁ NA ESCOLA OS MENINOS DIZEM QU'EU SOU PITÓSGAAAAA!!!???


- Gasóleo...pode abastecer!!

8/24/05

Limpópó- tão eventual como a sua sede.(ai credo, que título mais idiota!!!)

Consta que os restaurantes chineses são aqueles que mais frequentemente veêm as suas portas fechar por exigência da Inspecção.
Não vou fundamentar isto. Não me apetece. O blog é meu e eu digo aquilo que m'apetece entre o cabeçalho e a barra do iniciar. Se quiserem processem-me!!
Ora, chegue-se o leitor um bocadinho mais perto...isso...

Consta...dizem...que o locus onde se produz os chau-min e os 'clepes' são ecossistemas autênticos para espécies de organismos vivos não identificados, devido à falta de cuidados na manutenção destes espaços e na confecção dos 'platos'. Mas o que me preocupa não é isso: não é o facto de eles não conseguirem pronunciar os é'rres' nem que disso dependa o próximo bago de arroz. Não! Preocupa-me sim a minha necessidade em beber litro e meio de água de cada vez que janto num chinês. O que me faz coçar o nariz e pensar na quantidade de sal que aquela comida tem. Porque como diz o sábio povo o sal 'é a pior coisa que existe'... A PIOR!!!


(estou a tornar este espaço mais light, como tal e tendo em conta os princípios feng-shuianos mudei a cor da letra. Que tal??!! Próximo passo serão os sapos à porta para ver se chama a fortuna. Desde que ganhei 12 euros no euromilhões ando com a fé)

8/22/05

Ao menino e ao borracho...mete Deus a mão por baixo

Sexta à noite, no bairro alto: uma imperial na mão, cigarro na outra, partilhando o lancil de uma porta qualquer com a minha companhia. Entre a dificuldade de sentar 4 nádegas em espaço tão curto a conversa fluía a bom ritmo e amena cavaqueira acerca de figuras tristes alheias, subentenda-se as bebedeiras de amigos não presentes. Ora diz o sábio povo que Deus Nosso Senhor está em todo o lado e tudo ouve; e nesse noite a nossa inocente má-língua foi rapidamente castigada. Pior, Ele nem esperou por chegarmos a casa. Fomos fulminados ali mesmo.Passado pouco tempo passa um bêbado. Olhar 'tropeçante' e linguajar arrastado cuja cintura descrevia o movimento imaginário de quem faz hula-hoop:

- O...lha...por...que....eu....lu....me....teeeeens....luuuuume?
(Lá se deu lume e como habitual nestas circunstâncias isso não foi suficiente para ele dar corda aos sapatos )

- Oooo...briii...gaaaaaaa...daaaaa. E...eu xxxxperooo...sincerameeente...que...vocêssss...ainda hojeeee....deêmmm...uma..gandaa....STICKADA!!

E associou-lhe aquele gesto característico de agitar o braço em movimentos bruscos contra o vazio. Tornou-se claro então que o simpático transeunte não falava de hóquei.
E eis que passa um bêbado nº 2. Um indivíduo com sentido de equilíbrio e linguajar idêntico ao primeiro aproxima-se queixando-se de que não se lembrava onde tinha deixado o carro. Aparentemente os amigos tinham-no abandonado à própria sorte e só eles tinham decorado o caminho até ao veículo:

- Eu? (ninguém tinha perguntado nada, atenção.) Eu? Eu sou meeeelitar...MAS SEE FOSSE PANELEEEIRO TAMBÉM DIZIA!!!!...eu cá não tenho problemas...E olha para um jovem rapaz que se tinha "apaixonado" pela calçada portuguesa, e em ar condescendente e moralista profere o seguinte:

-Tss tss...ixxxto é queee faaaaz uma pena. Olheeeem pra isto. Desgraaaçam-se...

Como não há duas sem três chega outro: Um jovem robusto...robustamente alcoolizado portanto, e que para não variar se acerca de nós. Não cheguei a perceber se ele estava a imitar os olhos de um chinês, se me estava a fazer um elogio ou se repentinamente lhe tinha apetecido jogar à mímica no meio da rua com o primeiro caramelo que lhe aparecesse. Fazia gestos repetidos focalizados na comunicação visual entre nós os dois, como se de facto houvesse ali uma comunicação e como se existisse na realidade mensagem. Acho que no fundo... no fundo... este último era o que estava pior deles. Já nem conseguia abrir a boca pra dizer: "Já me viste o preço da bjeca?".
Eram cinco da manhã quando resolvemos ir embora levando connosco a conversa agradável da noite; e alheios ao resto deixámos para trás as ruas vazias do bairro e o grupo de 15 pessoas que tentava acordar à estalada a seco aquele jovem que 'inconscientemente' se tinha perdido de amores pelo passeio. Lembro-me vagamente de ouvir ao fundo chamarem o centoedoze...ainda me perguntei se seria o nome do militar...

8/21/05

O Síndrome "L. Casei Imunitass" provoca estados confusionais. Previna-se!



- ó filha, trouxe-te aquele leite...aquele novo agora, muito bom. Aquele!... Aquele com magnésio por causa do cálcio.




- ...Hum?!

8/16/05

Eureka...

Há já algum tempo que me debruço sobre esta minha irritante predisposição para o alheamento. Trocando por miúdos: o ser despistada. É que ainda que alguns amigos mais porreiros me digam que isto até confere um certo charme, cá entre nós que ninguém nos lê... isto é chato, pá! E assume contornos assustadores quando bate a paixão. Aí então é a loucura. Porque, por mecanismos ainda por descodificar, a coisa afecta o meu sentido cinestésico, isto é, a minha orientação espacial face aos objectos fica subitamente desregulada. É a chamada "fase em que ela começa a entornar coisas". E é chato. Porque ele é iogurtes, ele é águas...e é um desatino que só visto.
Claro que tudo faz mais sentido agora porque descobri recentemente que a minha mãe era perita em entornar gin tónico nas calças do meu pai. Se por distracção ou por outras pérfidas motivações não sei (Mãe! Ganda maluca!) certo é que o ditado se confirma: filho de peixe também tende a entornar. Ora isto é preocupante se eu começar a pensar na minha prole. E se eu der com um igual a mim?! Não ganhamos para a lavandaria. E sabe Deus como os Psicólogos andam a ganhar mal!
Preocupada que estava com estas questões debrucei-me cautelosamente sobre elas...claro que nos entretantos consegui entornar mais um actimel mas finalmente o esforço deu frutos:

Depois de muita pesquisa consegui isolar o gene responsável pelo 'despiste': tranquei a minha mãe e as minhas avós na mesma divisão!
Fica aqui o meu legado à Ciência.

8/15/05

A melga algarvia ainda pica mais c'á minha



E julgava-me eu a salvo!...

Desconfio que a família da outra chupista execrável contactou a colónia no algarve para levar a cabo a sua vendetta.

Tenham pena. Tenham muita pena d'eu...que era vê-las e ouvi-las noite após noite a mergulhar sem dó nem piedade no meu pobre corpinho. O ataque a Pearl Harbour comparado com aquilo foi uma volta de carrossel. Elas eram muitas, e estavam organizadas.

Agora venham-me lá dizer que foi uma coincidência? Hun?!

Esquisito..esquisito...são estes posts do bloguito!

...Esquisito é a série 'Uma aventura' baseada nos famosos livros com o mesmo nome.
Aparentemente neste novo formato as gémeas já tem telemóvel, O Chico curte comer 'pringles' e a publicidade de cena inclui cartazes do Festival de Paredes de Coura.
Mais anacrónico do que estas referências numa história que se desenrola no princípio dos anos 90 só mesmo colocar o grupo no intervalo das perseguições a beber Frizes de figo em vez de água do luso! Isso e o Pedro sacar de umas maracas a cantar o 'És tão boa' à Júlia Pinheiro (sim, ela tem um papel num dos episódios)!!

Bom...basicamente, basicamente...eu e o meu pseudo-mau-feitio-tontamente-canalizado-para-a escrita-sem-jeito-nenhum... voltámos de férias.