1/14/09

Transições (ou uma forma de dizer Bom Ano)

É verdade. Este blog não se enfeitou para o natal, não desejou festas felizes, e deixou passar sem qualquer sinalização 'a' temporada por excelência para festejar a fé na mudança.

Nunca esse tema andou [tão] à boleia da minha perna. À boleia como os putos pobres e giros que apanham graciosamente -como uma dança- a borla na cauda do eléctrico. A mudança aparece-me por toda a parte, e ora me puxa a perna vidrada pelas meias de nylon ora faz ski'alcatrão com os atacadores dos meus ténis. Para que tenham uma ideia, é um carpinteiro lilliputiano, igualinho ao Super Mario, e gaba-se pelo facto de o bigode estar novamente na moda. Há elementos na mudança que são cíclicos, e tornam, ainda que adaptados.

Ele puxa-me a perna sempre, e muito em particular quando esbarra com o seu oposto, o das coisas que não mudam. Recentemente, num qualquer corredor de trabalho falava-se de manobras sexuais, com crueza e mau gosto. Gente ordinária sê-lo-á sempre, com ou sem fato. En passant ainda ouvi, a propósito da postura sessenta e nove, uma moça loura sem maldade: "ai-isso para mim não dá. Ou me concentro numa coisa, ou me concentro noutra", provocando no colectivo uma sonora malignidade. Algumas louras do meu trabalho estão condenadas, não só a uma exploração pobre da intimidade, mas essencialmente a uma noção de felicidade nos mesmos moldes. O sexo tem muito mais que ver com o prazer com que possuímos a vida, do que com qualquer outra coisa. Daí não compreender nada do que são esses momentos de corredor. " A Joana não gosta de falar de quecas, é tímida" diz o elemento liderante com um tom justificativo enquanto vou embora e encolho os ombros para o meu comparsa lilliputiano .

Depois existem as mudanças felizes. A Rita, essa grande querida, que conheceu o "Ó gente da minha terra" pela primeira vez numa versão kizomba (como será isto possível pós-Mariza, certo?) vai ser operada aos ouvidos finalmente. Descobriu-se que tem os tímpanos furados. É absolutamente verdade isto, tem já cama marcada para a próxima 5ª feira. Antecipa-se uma boa década de música pela frente para esta minha jovem amiga.

Vou passando pelas coisas que não mudam e o meu carpinteiro à boleia manifesta-se. Diz-me que não lamente as adversidades do país, que não lamente esforços inconsequentes ou impulsos errados, que não me deixe avassalar por questões de ética e moralidade, que não me deixe sugar por padrões rígidos de comportamento, que não me deixe embalar por esperanças instantâneas de mudança... e que me adapte activamente, ao que vai chegando de novo. Que lhe sinta o gosto. Depois o Super Mario acaba por descer até à ponta redonda do meu sapato, e daí dá um pulo entusiasta até ao chão. Senta-se à chinês, pega nas ferramentas e, e avança qualquer coisa como "vamos lá então a isto".

Por isso O da Joana não vos deseja um ano novo "este sim, cheio de coisas boas". Deseja-vos antes uma boa continuação, daquilo que têm vindo a construir. Esse sim me parece o melhor voto.

Aquele abraço.