| Pois é, chegaram as merecidas. Vou andar por aí a passear pelo país e a tentar apanhar sol. Alguém dê 'de comer' ao Sexta-feira por favor. E um banhinho de lama, que ele gosta. Até (muito) breve. |
5/15/09
Vou de férias malta...
4/23/09
Um fadinho na Av. General Roçadas
| Em todas as famílias existem objectos, situações... enfim, legados particulares, deixados pelas gerações antigas para aquelas vindouras. Coisas que unem o tecido infinito do tempo, e a todos que por ele passaram, em torno de um momento. Na minha família, eles são a mousse de chocolate da minha tia, os sonhos conventuais da minha avó, um casaco dos anos 70 do meu avô (que me está enorme mas do qual não me separo), e o "fado do meu pai". Na verdade não é do meu pai, mas como era ele quem o cantava sempre, depois de abatidos alguns whiskys à mesa, eu sempre achei que era dele. Assim, há-de ser sempre dele. Eu, pequenina, ficava embargada quando o via erguer-se tão seguro, ainda com migalhitas de broa penduradas no guardanapo-gravata. Ninguém o cantaria com tanto sentimento e coragem, apesar do silêncio suspenso e incómodo à mesa... A história por trás do 'Fadinho da Sogra' O meu pai era um jovem gaiato, com algum talento para sacar dinheiro no poker e ao bilhar aos senhores mais velhos habitués que aceitavam ensinar-lhe umas coisas. Mas o meu pai também se dava com gente honesta, não eram só malandros. Entre eles, reza a história, havia um jovem acólito que ajudava à missa no Centro Paroquial da General Roçadas (que é como quem vai para Sapadores, ok?) e que se chamava Tavares. O Tavares num dia de inspiração (divina, diria!) escreveu uma Ode. Nesse dia marcou a vida dele, mas a da nossa família também. Agora é que é. O Fadinho da Sogra Minha sogra cá prá gente é doida por aguardente e até bebe ao despique Se lhe chegam um fósforo à boca (bis) [Se lhe chegam um fósforo à boca] arrebenta c'o alambique Foi numa adega em Colares [Foi numa adega em Colares] que aquela Santa já grossa disse pra mim "ó Tavares (bis) [disse pra mim "ó Tavares] se esta pipa fosse nossa Minha sogra já morreu [Minha sogra já morreu] c'o um balão de estricnina Na autópsia os pecados (bis) tiveram de ser lavados com 3 litros de Benzina Três dias depois da morte [Três dias depois da morte] O coveiro fez alarido Encontrou a urna torta (bis) O jazigo sem a porta E o estapor tinha fugido! |
1/14/09
Transições (ou uma forma de dizer Bom Ano)
| É verdade. Este blog não se enfeitou para o natal, não desejou festas felizes, e deixou passar sem qualquer sinalização 'a' temporada por excelência para festejar a fé na mudança. Nunca esse tema andou [tão] à boleia da minha perna. À boleia como os putos pobres e giros que apanham graciosamente -como uma dança- a borla na cauda do eléctrico. A mudança aparece-me por toda a parte, e ora me puxa a perna vidrada pelas meias de nylon ora faz ski'alcatrão com os atacadores dos meus ténis. Para que tenham uma ideia, é um carpinteiro lilliputiano, igualinho ao Super Mario, e gaba-se pelo facto de o bigode estar novamente na moda. Há elementos na mudança que são cíclicos, e tornam, ainda que adaptados. Ele puxa-me a perna sempre, e muito em particular quando esbarra com o seu oposto, o das coisas que não mudam. Recentemente, num qualquer corredor de trabalho falava-se de manobras sexuais, com crueza e mau gosto. Gente ordinária sê-lo-á sempre, com ou sem fato. En passant ainda ouvi, a propósito da postura sessenta e nove, uma moça loura sem maldade: "ai-isso para mim não dá. Ou me concentro numa coisa, ou me concentro noutra", provocando no colectivo uma sonora malignidade. Algumas pessoas estão condenadas, não só a uma exploração pobre da intimidade, mas essencialmente a uma noção de felicidade nos mesmos moldes. O sexo tem muito mais que ver com o prazer com que possuímos a vida, do que com qualquer outra coisa. Daí não compreender nada desses momentos de corredor. " A Joana não gosta de falar de quecas, é tímida" diz o elemento liderante com um tom justificativo enquanto vou embora e encolho os ombros para o meu comparsa lilliputiano . Depois existem as mudanças felizes. A Rita, essa grande querida, que conheceu o "Ó gente da minha terra" pela primeira vez numa versão kizomba (como será isto possível pós-Mariza, certo?) vai ser operada aos ouvidos finalmente. Descobriu-se que tem os tímpanos furados. É absolutamente verdade isto, tem já cama marcada para a próxima 5ª feira. Antecipa-se uma boa década de música pela frente para esta minha jovem amiga. Vou passando pelas coisas que não mudam e o meu carpinteiro à boleia manifesta-se. Diz-me que não lamente as adversidades do país, que não lamente esforços inconsequentes ou impulsos errados, que não me deixe avassalar por questões de ética e moralidade, que não me deixe sugar por padrões rígidos de comportamento, que não me deixe embalar por esperanças instantâneas de mudança... e que me adapte activamente, ao que vai chegando de novo. Que lhe sinta o gosto. Depois o Super Mario acaba por descer até à ponta redonda do meu sapato, e daí dá um pulo entusiasta até ao chão. Senta-se à chinês, pega nas ferramentas e, e avança qualquer coisa como "vamos lá então a isto". Por isso O da Joana não vos deseja um ano novo "este sim, cheio de coisas boas". Deseja-vos antes uma boa continuação, daquilo que têm vindo a construir. Esse sim me parece o melhor voto. Aquele abraço. |
12/5/08
Oinc!
| Desde que o meu bom amigo, um gato europeu de 9 kgs -e um coração felídeo ainda maior- morreu, ficou um vazio estúpido. Ainda hoje, ao pôr a chave na porta, associo o som da espera que era dele; e fica sempre em falta aquele espacinho no dia, para o hipnotizar com o dedo indicador pelo 'É'me' branco de pêlo que se estendia no intervalo dos olhos verde-caiem-ou-não-caiem, até ao nariz rosado. Nunca sabia qual de nós dois tinha 'apagado' primeiro. Mas suponho que fosse ele, porque acordava sobressaltada com a estranheza de uma bola de pêlo a ressonar para lá da compreensão humana. Por mais saudade que isto dê, a minha vida não me permite acolher um novo petfriend, porque raramente me encontro em casa, e o meu egoísmo não se presta a tamanho atrevimento. Por isso e atendendo a esta minha necessidade, resolvi adoptar o pequenote aí do vosso lado esquerdo. Acho que numa tentativa de sublimar aquelas experiências sãs das infâncias no campo, que não tive. Chama-se "Sexta-feira" e é um porco preto. Vou tentar não o comer até lá. Prometo. |
9/11/08
Querido diário
| A Marta faz 30 anos. Queixa-se que mora sozinha com sete gatos e uma colónia de formigas. Para além disso não tem homem. Contudo, ao mesmo tempo fala-me de um tal de um estrelótipo qualquer de idade. Não percebo nada. Mas não acho muito correcto ter relações com idosos, e não imagino a minha amiga a dizer "o sim para todo o sempre" a um fulano chamado Estrelótipo. A verdade é que para a animarmos resolvemos fazer-lhe uma surpresa. Porque ela pediu para lhe fazermos uma surpresa. Recuando no tempo, lembra-me quando organizei a festa dos seus 18 anos. Para a minha amiga o melhor -pensei eu. Talvez num lugar exótico, quente, de homens suados e comida meio picante. E lá fomos nós, ao frango assado da Caparica. Vi logo que ela gostou. Com aquele jeitinho de olhos muito esbugalhados e inexpressivos que ela sempre tem quando lhe faço estes mimos. Se há pessoa que me adora é a Marta. Efectivamente, estava tudo programado ao pormenor: o restaurante, a saída e até as viagens. Conseguimos apanhar o autocarro para Cacilhas mesmo-mesmo à hora. Foi um pouco difícil enfiar o urso de 1,5 m dentro das portas do bus mas felizmente uns meninos do bairro do picapau deram uns pontapézinhos no urso a modos que ele lá entrou. Aparentemente, os meus amigos e a Marta estavam um pouco nervosos com aqueles rapazes tão prestáveis. Não percebi porquê, até porque foram tão cuidadosos que se espalharam pelo autocarro sentando-se ao lado de cada um de nós. Percebi claramente que estavam preocupados com a nossa segurança e resolveram proteger-nos visto não sermos daquelas bandas. A intenção foi boa mas ainda assim não resultou, sabe-se lá como mas ao chegar ao destino uns maganos tinham conseguido limpar-nos as carteiras. Mas a noite era ainda uma criança e apesar do Paulo estar descalço e a Maria ter desaparecido misteriosamente... agora que me lembro acho que ela nunca chegou a aparecer... bom, ainda assim convenci-os a cumprir com ânimo o programado. A minha amiga, a tornar-se agora uma mulher, merecia um entretenimento à altura. Haviam falado num certo show num bar lisboeta. Para aqueles que não sabem inglês... show significa "mostrar", ok? Ou seja, calculei logo que fosse algo à altura das noites londrinas ou espanholas, que segundo consta sabem dar fiestas como ninguém. E fomos, a Maria lá havia de arranjar boleia para casa. Aparentemente enganámo-nos. À chegada achei um pouco despropositado a cama redonda, como se alguém pudesse dormir com música tão alta, e pessoalmente não gosto de cetim porque escorrega muito. Enfim, aproveitei o décor o mais que pude saltando bastante em cima do colchão enquanto dedicava os parabéns à minha amiga no microfone do Élvis Presley. Essa parte foi divertida, até o senhor da música parar o som e puxar-me bruscamente por um braço até à mesa onde a Marta e o grupo me fitavam perplexos. Percebi que também estavam indignados com o azedume daquele homem. Já nessa altura o mundo andava cheio de gente mal disposta. O show começou e apareceram uns senhores vestidos de senhoras e umas indumentárias que era coisa que nunca tinha visto. Somavam-se cachecóis, penas e chicotes em pleno voo. Muita maquilhagem, corpetes e acessórios. Faziam uma dança desajeitada em cima da cama, e sabe Deus como os homens por norma são desengonçados a dançar, com saltos então e num colchão... Bom, não tinha a beleza de um trocadero... a música era bera... tinha pouca história e os diálogos era só gritinhos, espamos de dor, e sons de chicote a rasgar o ar. Achei fraco. Mas já se sabe, são aquelas modas anglo-saxónicas. Acho que eles também não apreciaram muito. Saíram em silêncio e pareciam muito cansados e absortos. A Marta bocejava muito e repetidamente, pelo que percebi logo que tinha sido uma noite em cheio para ela. Eram 18 anos memoráveis. Este ano resolvemos fazer uma coisa diferente. Não vou contar-vos já porque aquela marota lê o blog (tás aí doidinha para saber hein?) mas uma coisa vos prometo... será de bradar aos céus. E desta vez não vou em cantigas. Eles ainda não sabem, porque é surpresa, mas vamos no meu carro e vou eu a conduzir. Nada de riscos desta vez. Tsst-tsst.
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6/29/08
Frases do dia - Estratégias de motivação de equipas: um post escatologico sobre a analidade da vida empresarial
| "Por mais humilde que seja, um bom trabalho inspira a sensação de vitória." Como por exemplo na prisão de ventre. Quando não se consegue, um cócózinho razoável já dá muita alegriazinha às misérias de muita gente. "Cumprir! Antecipar necessidades e superar expectativas! Estar num lugar chamado futuro quando os outros lá chegam! Isto é ser..." Isto é sofrer de desorientação espácio-temporal. "A maior recompensa do trabalho não é só o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma." Excepto quando nos transforma em cócós. "Como seres humanos inteligentes, só nós somos culpados pelo nosso sucesso." Isso significando que somos inocentes no nosso insucesso?... Psicologia invertida da treta. "Permito-vos que enfiem a culpa onde melhor vos aprouver, e não haja luz diurna. De preferência" "Se não posso realizar grandes coisas, posso pelo menos fazer pequenas coisas com grandeza." Como o cócó, já tínhamos visto isto. "Nunca olhes para baixo, para testar o chão antes de dares o próximo passo."Não olhem vocês, olha-olha. Nas ruas de Lisboa?! Tá bem-tá. "Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias..." e o princípio da perturbação de dupla personalidade, seus cabeças de cócó. "O importante é aquilo que sentimos e não o que dizemos, mas se não o dizermos não podemos chegar aos outros... Partilhem..." Se não o dissermos. Dissermos. Isso- partilhem, uma gramática. "Aquele que dá um bom conselho, constrói com uma mão; aquele que dá bom conselho e bom exemplo, constrói com as duas; mas aquele que dá um bom conselho e um mau exemplo, constrói com uma mão e destrói com a outra." cÓCÓ! Cócó-cócó! Cócó!... Cócó. Deixar tudo para amanhã é como usar um cartão de crédito: muito divertido... até que chegue o momento de receber a conta." Epa... como dizer isto delicadamente, tendo em conta a boa intenção para motivar os colegas?... Sei que isto talvez te vá chocar mas... Isto é um Banco. |
aqui basicamente-basicamente fala-se de
cócó
6/3/08
Diálogos muito pseudos
| - Olha e já leste o Ensaio sobre a cegueira? - Hmm. Não. - ... E o ensaio sobre a Liberdade... do Stuart Mill? - Também não. - Posso emprestar... - Hmm. Ensaio né...? - Pois. - ... Prefiro ler quando o gajo os acabar. |
5/16/08
The Wind in the willows e o vento que bate nos salgueiros da Av. das Forças Armadas
| Eis que dou comigo, completando 29 anos de idade, escondida, a fazer bolhinhas de sabão no wc da casa de banho do meu trabalho, surpresa pela chance de três minutos de meninice naqueles metros quadrados de individualidade, contabilizada ao minuto. Nem o João imaginava ao dar-me aquele embrulhinho 5 minutos antes à socapa (Obrigaaada!). Encolhi dentro de um bibe azul, e senti o cheiro a mãos sujas de terra no final dos intervalos. O cheiro forte e metálico. As bolinhas de sabão com cores que escorrem dentro. Nem mesmo o meu colega que se peidava como um ogre na casa de banho ao lado, e fazia esgares triunfantes de pavão satisfeito, me mereceu atenção. Ainda faço bolhinhas de sabão como ninguém. Áh! Por isso fui matar saudades de uma das minhas séries de eleição em criança aqui, e da 'minha' toupeira, figura tão apetecível que seria a primeira de toda uma tendencia para me apaixonar por homens doces, tímidos, inteligentes e com astigmatismo. E Miguel... obrigada pela tua mensagem. Mas... "Feliz Natal" é só no 25 de Dezembro querido, quantas vezes temos de rever isto. Toma as tuas gotas a horas, sim? Sabes que te adoro e me preocupo. |
4/7/08
Piadas de psicólogos e outros tiros no próprio pé.
Quando é que um psicólogo em Portugal sobe na vida? ... quando muda de call center. Desta feita com ecrã-plasma e nexpresso à borla. E águas. Das de 1,5l. Ah pois-é. |
2/7/08
Jorge Palma, a respeito da ASAE
(Entra a música. Jorginho sentado à mesa)
Quer' pato à pequim.../
Mas-vem-co'-um-pêlo-tan-tas-vezes...
Quer' pato à pequim.../
Mas-vem-co'-um-pêlo-tan-tas-vezes...
1/26/08
Joana no país de tanga-wear. Uma breve pausa para o narcisismo de uma psituguesa. Ando sensível... qu'é que querem!?
![]() |
Curioso como as teorias comportamentais de Skinner são tão pertinentes ainda hoje: era vê-los desenhar velozes enquanto corria o Bowling for Columbine naquela salinha de aulas... (silêncio)... só um pequeno apontamento pedagógico sobre as relações de poder e a autoridade inquestionável dos mais velhos. E os desenhos saíram tão bonitinhos não foi...? (suspiro).
11/16/07
Gente pobrezinha diverte-se melhor.
De passagem pelo corredor, a minha visão periférica detectava movimento numa das divisões da casa que ficara para trás. Optei por rebobinar a passada e confirmar. O senhor meu progenitor, concentradíssimo, parecia um Calvin aprisionado no corpo de um homem adulto de cabelos brancos e gravata do dia que passou já meio aliviada. Estava de olhos franzidos no próprio relógio; e de língua presa ao canto da boca para afinar a precisão, jogava movimentos circulares, bruscos e amplos, a partir do próprio pulso contra o mostrador.
- Papi...então... outra vez a jogar pinball com o relógio do ponteiro partido...?
- Papi...então... outra vez a jogar pinball com o relógio do ponteiro partido...?
10/12/07
Coisas que não convém. Tratando-se do autocarro que nos vai transportar nos próximos 200 kms.
Ao entrar na gare, o veículo pesado parecia não acertar à primeira... nem à segunda... nem à terceira... no estacionamento em espinha. Esquisito. Bom... mas o pensamento circulava mais à volta do pequeno almoço que a Rede Expressos não serve às 07.00 da manhã. O delírio olfactivo do aroma matinal a café colidia com o cheiro frio a metal das grades, agora encerradas, e que se fazia sentir por todo o Terminal fantasma. Ninguém merece. Procurei então distrair-me dos ruídos viscerais e das 5 horas de viagem pela frente... ver dois condutores a tomar o seu lugar dentro do veículo até que causava uma certa impressão.
Um condutor para o outro: "Então... sabes o caminho?"
O mesmo condutor para o outro: "Vá ...agora põe uma quarta...agora quinta... vá, ACELERA. Olha para 'ela'. 'Ela' está a dizer-te o que quer!!Dá-lhe a oitava. "
A modos que antes de chegar a Setúbal já tinhamos batido com uma certa firmeza na portagem da via verde; e algures em Santiago do Cacém foi preciso recuar uns bons metros em marcha atrás dentro de um cruzamento. Parece que afinal era para ir em frente. O Capitão Nemo, entre aspas, logo se prestou a ir esbracejar lá para fora, conduzindo os avanços e recuos a partir de um ego entretanto já mais atrapalhado. Do interior da janela, ao ritmo dos solavancos do motor, os seus préstimos pareciam especialmente aflitos. Altura ideal para pôr os phones do mp3. Há coisas que é melhor nem ver. E a paisagem até Aljezur é bonita.
Um condutor para o outro: "Então... sabes o caminho?"
O mesmo condutor para o outro: "Vá ...agora põe uma quarta...agora quinta... vá, ACELERA. Olha para 'ela'. 'Ela' está a dizer-te o que quer!!Dá-lhe a oitava. "
A modos que antes de chegar a Setúbal já tinhamos batido com uma certa firmeza na portagem da via verde; e algures em Santiago do Cacém foi preciso recuar uns bons metros em marcha atrás dentro de um cruzamento. Parece que afinal era para ir em frente. O Capitão Nemo, entre aspas, logo se prestou a ir esbracejar lá para fora, conduzindo os avanços e recuos a partir de um ego entretanto já mais atrapalhado. Do interior da janela, ao ritmo dos solavancos do motor, os seus préstimos pareciam especialmente aflitos. Altura ideal para pôr os phones do mp3. Há coisas que é melhor nem ver. E a paisagem até Aljezur é bonita.
10/11/07
Vale sempre a pena recordar...
...aquele dia em que no Boteco todos se debatiam com a fome, engolindo as ementas e passando em mãos o cesto das carcaças. Uma senhora de ar boçal, displicente e de quem tem mais do que fazer na cozinha, apoiava a caneta no bloco aguardando instruções a qualquer momento: "Então o que é que vai ser?". Uma amiga nossa resolveu então apontar para as letras escritas a caneta bic e de ar tímido e educado perguntou:
- Hamburger especial no pão... O que é que isto leva?
Senhora de ar boçal, displicente. Mais do que fazer na cozinha:
- Filha...Leva Hamburger...e pão.
Amiga:
- Sim-sim. O hamburger normal certo? Mas o especial da casa leva o quê?
Senhora de ar boçal, displicente. Mais do que fazer na cozinha:
- ó Filha...leva hamburger e pão!!
Amiga:
- er...mas... repare...para além disso...cebola? queijo? bacon?...O que é o especial da casa...?
Senhora de ar boçal, displicente...yada-yada:
- Ó FILHA!!!... É HAMBURGER! É HAMBURGER E PÃAAO!!
Amiga:
- O_o ?! ... Seja. E uma cola.
- Hamburger especial no pão... O que é que isto leva?
Senhora de ar boçal, displicente. Mais do que fazer na cozinha:
- Filha...Leva Hamburger...e pão.
Amiga:
- Sim-sim. O hamburger normal certo? Mas o especial da casa leva o quê?
Senhora de ar boçal, displicente. Mais do que fazer na cozinha:
- ó Filha...leva hamburger e pão!!
Amiga:
- er...mas... repare...para além disso...cebola? queijo? bacon?...O que é o especial da casa...?
Senhora de ar boçal, displicente...yada-yada:
- Ó FILHA!!!... É HAMBURGER! É HAMBURGER E PÃAAO!!
Amiga:
- O_o ?! ... Seja. E uma cola.
9/28/07
É o do Nico!

Particularmente interessante é ver os elementos em jogo no surf vistos pela lente de quem vai de facto para dentro de água; que conhece de perto as texturas e tonalidades ambientais que a espera em cima da prancha ou mesmo o regresso cansado ao areal consegue acordar. São os tais detalhes. Na realidade o Nico já tem um blog há vários meses, mas na altura em que ele abriu o seu cantinho aqui O da Joana baixou âncora. Não podia, no entanto, falhar a devida referência. Não só porque é um querido amigo, dos que fazem parte do núcleo mais apertado e estimado de amigos, mas porque tem um talento particular. E tanto assim é que já cativou as simpatias de revistas da especialidade, passo a inconfidência. Acredito que tem muito para dar a este campo da fotografia, na qualidade de praticante e grande entusiasta da modalidade. E cá entre nós, eu gostava mesmo é que vocês o ouvissem a falar de Surf. Dá para sentir as ondas e os canivetes a bater com a temperatura da água. É o Mr. Cool himself a falar do que mais lhe dá prazer. E também por isso o meu mais sincero desejo é que o Nico comece a juntar palavras às imagens que capta. Pode ser que agora, recém-chegado do último Campeonato em França, ele nos dê esse prazer. Beijão, amigo!
9/26/07
Socorro. Quero a minha terapeuta.
A noite já vai longa. A lua bem alta, e nas traseiras alguém ressona como uma betoneira há largas horas. Não, não é o sr. Francisco, o talhante, é mesmo a D. Natacha do Cabeleireiro. Diz que é do amoníaco das tintas que lhe agrava a sinosite. Mas nas traseiras deste pequeno bairro no centro urbano, para lá do submundo das histórias dos gatos vadios, como o nosso Pimpão, o gato que queria ser cão, ou a bela Tareca que queria mesmo era ter nascido gato para poder ser trávéca... bom, para lá dos seus vultos errantes a patinhar silenciosos os telhados, e para lá das cuecas a desequilibrar o velho estendal, já de si assimétrico, abrem-se pequenas janelas para a vida privada. Aqui dentro a noite é bem mais tranquila, escura, silenciosa, e um vulto sossegando o ar debaixo dos cobertores denuncia um sono já profundo. Ou pelo menos assim parece:
"- Cof-COF-Cof.....Hmpf....Cof-cof ... COFCOFCOFcofCOFcof......... iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhhhhhh" (onomatopeia para asfixia temporária. Apesar do fumo a personagem opta por respirar pela boca. burra.) O ambiente é enevoado, e ela prossegue abanando em vão o cenário do sonho:
"- Cof... O gajo da máquina de fumos deve-se ter esquecido daquilo ligado. Bolas"
Na realidade o problema é que há um amigo da nossa protagonista que fuma cannabis a mais, mas como estamos no campo do sonho o Superego exerceu aqui a sua função de censura sobre as imagens que passam neste blog. Ora, depois de alguma dificuldade inicial, foi possível vislumbrar o que ali estava a fazer de facto. Dissipou-se mais. Finalmente, chegava-se à frente, ao balcão da farmácia. Aparentemente teria ido comprar produtos de dermocosmética. "O preço que custa a beleza! bem podem oferecer amostras-brinde" - pensei eu sofrida. Logo a directora clínica se apressa com o seu sorriso de Stepford wife. Foge por breves segundos com um entusiasmo que pessoalmente, pronto, acho meio parvo, para surgir logo de imediato, como que a demorar um suspense qualquer. "Ouça. Eu estou farta de reclamar para o Centro do Ego que não curto estes realizadores pseudo-noirs a dirigir a minha produção onírica. Fui muito clara da última vez em relação à minha preferência pelo registo do Tim Burton. Mas que maçada pá. Tsst. tento resolver isto educadamente e..." E... cortando o meu pensamento em voz off estereofónica a senhora de bata e sorriso e olhar de louça coloca em cima do balcão um bebé lindo embrulhado em lençóis. Pumba:
"- E ... na compra destes produtos da Galénic.... Párabéns!!! Agora é mãe!!!"
Do alto da sua camisa, e do baixo das suas sabrinas pretas, a protagonista diz apenas:
"... merda. e agora? "
Fim de Filme.
"- Cof-COF-Cof.....Hmpf....Cof-cof ... COFCOFCOFcofCOFcof......... iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhhhhhh" (onomatopeia para asfixia temporária. Apesar do fumo a personagem opta por respirar pela boca. burra.) O ambiente é enevoado, e ela prossegue abanando em vão o cenário do sonho:
"- Cof... O gajo da máquina de fumos deve-se ter esquecido daquilo ligado. Bolas"
Na realidade o problema é que há um amigo da nossa protagonista que fuma cannabis a mais, mas como estamos no campo do sonho o Superego exerceu aqui a sua função de censura sobre as imagens que passam neste blog. Ora, depois de alguma dificuldade inicial, foi possível vislumbrar o que ali estava a fazer de facto. Dissipou-se mais. Finalmente, chegava-se à frente, ao balcão da farmácia. Aparentemente teria ido comprar produtos de dermocosmética. "O preço que custa a beleza! bem podem oferecer amostras-brinde" - pensei eu sofrida. Logo a directora clínica se apressa com o seu sorriso de Stepford wife. Foge por breves segundos com um entusiasmo que pessoalmente, pronto, acho meio parvo, para surgir logo de imediato, como que a demorar um suspense qualquer. "Ouça. Eu estou farta de reclamar para o Centro do Ego que não curto estes realizadores pseudo-noirs a dirigir a minha produção onírica. Fui muito clara da última vez em relação à minha preferência pelo registo do Tim Burton. Mas que maçada pá. Tsst. tento resolver isto educadamente e..." E... cortando o meu pensamento em voz off estereofónica a senhora de bata e sorriso e olhar de louça coloca em cima do balcão um bebé lindo embrulhado em lençóis. Pumba:
"- E ... na compra destes produtos da Galénic.... Párabéns!!! Agora é mãe!!!"
Do alto da sua camisa, e do baixo das suas sabrinas pretas, a protagonista diz apenas:
"... merda. e agora? "
Fim de Filme.
6/6/07
Mais da Série "Tudo o que você sempre quis saber e nunca ninguém teve pachorra de lhe explicar"
... Mas eu explico. Que 'O da Joana' está cá é para estas coisas. Desfaçam-se aos poucos por este blog alguns dos grandes mitos ligados às fêmeas. E aqui vos deixo mais um.
Uma eterna questão. Homens e rapazes púberes deste mundo: frequentemente quando surge a expressão "Gostava que olhassem mais para a beleza interior".... na realidade-na realidade... elas estão mesmo é a falar de lingerie. Depois não digam que não avisei.
Uma eterna questão. Homens e rapazes púberes deste mundo: frequentemente quando surge a expressão "Gostava que olhassem mais para a beleza interior".... na realidade-na realidade... elas estão mesmo é a falar de lingerie. Depois não digam que não avisei.
4/3/07
Ele-há momentos assim, de quase hiato intelectual.
De maneiras que, de momento, a necessidade de ler se impõe feita bigorna em queda livre sobre a necessidade de escrever meia dúzia de patacoadas; pois que esta última (a vontade de escrever), a pobre, resiste trémula de pernas alçadas, feito o (diria miserável!) Coiote debaixo do dito objecto esmagador. Refiro-me portanto àquele bicho esfomeado, com o estômago sempre colado às costas, que levava altos bailes do 'bip-bip', mais conhecido como Road runner. Também pode o leitor socorrer-se da imagem do frigorífico em cima do Roger Rabbitt, se preferir. A imagem mental é à escolha do freguês.
Posto isto, retomaremos assim que possível a produção neste blog, logo após um curto intervalo para uma breve mas abençoada incursão na biblioteca da minha caríssima progenitora, que apresenta títulos perfeitamente provocadores, e cuja extensão de salivação se prolonga desde a prateleira da mitologia, filosofia, grandes obras da literatura, até à estante da história política, antropologia... livros de aut-ajuda. Er... bom, no melhor pano cai a nódoa. Mãe, és G'rande! E não ligues às más línguas. Da última vez que te medi, pelo menos um metro e cinquenta era de certezinha.
E porquê? Porque eu preciso. Porque há seis anos que tenho sede de ler coisas que não tenham exclusivamente a ver com Psicologia. Ler, e com tempo! Que isto de conhecer obras importantes de trezentas páginas, como 'Os Tristes Trópicos', ou até mesmo as curtas cem páginas do 'Raça e História' de Lévi-Strauss, a correr para um exame, deixam uma sensação amarga de que não degustámos a coisa com a serenidade e elaboração que nos merece.
Afinal das contas, estamos no período da Quaresma e este cérebro precisa de lutar pela ressurreição. Começarei pelos clássicos.
Palavra do Senhor!
3/9/07
O Labirinto do Fauno

... É um conto de fadas para adultos. Uma viagem fascinante que segue a estrutura clássica dos contos tradicionais. A este propósito aconselha-se a leitura da 'Psicanálise dos contos de fadas' de Bruno Bettelheim porque palavra de honra que o filme se torna ainda mais saboroso de apreciar, e mais perceptível nos seus conteúdos latentes.
A pequena Ofélia (a heroína) apresenta-se com fortes remniscências da Alice de Lewis Caroll, mas rapidamente a semelhança de roupagens se perde, curiosamente 'na mesma árvore' onde Alice adormece de livro na mão. Também é ali que Ofélia avança para o primeiro dos seus desafios, mas a viagem que lhe é proposta está bem mais de acordo com a morfologia dos contos tradicionais conforme o folclore popular, do que com as dinâmicas esquizofrénicas do autor de Alice nos país das maravilhas. E rapidamente nos esquecemos de Caroll.
Na sua essência, Labirinto do Fauno é um conto de terror, como são no fundo todos os contos de fadas originais, em que o protagonista-criança é posto à prova. Guillermo del Toro consegue com este filme estabelecer um paralelo de universos entre as lutas infantis pelo crescimento, e aquelas outras dos adultos, de autonomia e liberdade (sendo que o contexto é o do pós-guerra civil espanhola). Parte do brilhantismo do filme reside aí... a luta de Ofélia por conquistar o seu lugar de princesa (metáfora para o fluorescimento psicológico da jovem mulher) desenrola-se a par das guerras reais dos adultos por conquistar a liberdade de existir enquanto indivíduos. E se a primeira se desenrola ao nível do imaginário (como aliás é suposto na infância) a segunda cresce num plano bem real, com todos os horrores característicos das guerras dos homens, e consequente castração da individualidade -materializada em torturas medievais e homicídios levianos por parte do 'gajo bera' da história.
A beleza da coisa cresce quando a estética do real e a do imaginário se tocam e se fundem. A luta torna-se uma só, aproximando a infância e a adultícia a um vector único em continuum, naquele encontro abraçado entre Ofélia e Mercedes em que a pequenina pede "Leva-me contigo". Do ponto de vista psicológico, estas personagens surgem quase como um desdobramento da unidade psíquica criança-mulher, cada uma lutando em seu plano, até que estejam preparadas para se encontrar e unir esforços. Dizia que parte do brilhantismo do filme reside aí... em mostrar que crianças e adultos são feitos do mesmo tecido sonhador e receoso, e que evoluir (independentemente da idade) é um jogo sensível de articulação entre os dois.
No que diz respeito à genialidade do conto tradicional enquanto objecto artístico que, à semelhança do mito, encena os grandes dilemas existenciais, os seus elementos chave estão todos neste filme: Os objectos mágicos que garantem ao herói a coragem para acreditar que pode superar os obstáculos; os seres mágicos (fadas e fauno) que asseguram e pontuam o desenrolar das peripécias; a mágica do número três associada às tarefas sobrehumanas que o herói tem que superar (sinónimo de paciência e endurance perante as dores de crescimento); as figuras adultas autoritárias que garantem a frustração necessária para o despontar da rebeldia; a necessidade de seguir o instinto infantil corajoso (fascínio pelo desconhecido) para explorar criativamente soluções vitoriosas; a cedência momentânea às pulsões infantis (voracidade oral) como sinal de resistência à 'saída do ninho'; a cadência e o suspense; o sangue e o sangramento feminino enquanto símbolo de vida; a morte simbólica da mãe encenando a substituição geracional; bem como todos os elementos do natural (bosque, água) que circunscrevem a história a um lugar e um tempo reais mas que, por serem suficientemente indefinidos, garantem a regressão necessária a um 'era uma vez há muito tempo',o qual facilita a projecção e identificação com dilemas difíceis de trazer à consciência.
Os contos tradicionais deixam os seus protagonistas sempre órfãos não por crueldade mas porque o imaginário colectivo reconhece que o processo de individuação é um caminho interno, intrapsíquico, individual, e nesse sentido 'órfão'; e valida esse sentimento através do jogo simbólico de limpar o sarampo às figuras 'protectoras' sem meias medidas logo ali nos primeiros capítulos. Assim se concentra a trama na narrativa individual da criança-herói, e em todas as aventuras que se irão seguir.
Isto porque a temática central de qualquer conto ou mito será sempre desvendar O sentido da vida. Ele fervilha ali nas histórias, em formato de semente pronta a ser recolhida pela capacidade de cada um de sonhar. E o onírico é, acima de tudo, a possibilidade individual de configurar o futuro de acordo com o desejo único e intransmissível de cada um, de ser-no-mundo não menos do que aquilo que já é no seu ideal do eu.
E não é que a nossa Ofélia se vai sair lindamente e ser feliz para sempre e mais não sei o quê?
Os cinéfilos que comentem a realização, a fotografia, e todas aquelas coisas das quais eu só posso dizer 'gostei muito'. E a miúda tem uma interpretação fora de série. Que tem.
aqui basicamente-basicamente fala-se de
Labirinto do Fauno,
psicanálise dos contos de fadas
2/28/07
Cof...Cof....!!!
Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuu
[Perlóim-perlóim]
O faduncho do malandro borracho
Eeeeeeeeee-aaaaaaAAi.
[Perlóim.]
Ainda-lá-vinhas-desajeitado
de sono mal acordado
Ainda-entortavas-a-calçada-meio-ressacado
Já meu peito pulsava
este fadinho apaixonado.
É sempre assim
Ainda o dia não rebentou
Já antecipo ao longe a chatice
E o caldo que entornou
[Aaaaai. Cuidado a atravessar essa estrada].
E de dares meu beijo, nada
Que passo por antiquada
De não confessar a timidez
Pá próxima saia como saia
Levas-co' estes-lábios-d-uma-vez.
[E se quiseres chama-me de danada.
Mas com essa idade tão avançada não-perdes-pla-demora.]
Lembro bem o dia do primeiro beijo
Perguntaste-o-que-fazia-quem-eu-era-
"que-mal-te-vejo"
que estavas com o alemão, e respondi,
se gostasses mais de mim [bis]
eu cá não me importava, não.
Aaaaaaaai meu malandro.
com-o-teu-jeitinho-desalinhado
Teu-parco-cabelo-desgrenhado
Me-deste-cabo-do-coração
E nunca mais eu me vi endireitar
Para outra direcçãaaao.
[Endireita a dentadura amori, olha as pessoas.]
Podias até chamar-me torta
E mentiras assim.
Para me entortar contigo
Até que endireitava
E-podes-crer-até-soava
a-doce-castigo-para-mim.
Que pra mal da minha boca
És um magano que desatina
Só perto dos teus lábios
ou da guitarra aqui do Zé
é qu'esta magana afina.
[Anda lá com essa guitarra Oh Zé]
(remate de conversa com trejeito de pescoço. Pausa pá guitarrada)
[Ora vamos lá a isto...]
E se essas outras mulheres
Perguntarem por ti
digo que és assim-assim
Mulher é bicho invejoso.
E nao fiando nesse falar dengoso
És viril, nobre, e forte
Lá à tua maneira, enfim.
Meu Deus, a sorte
De-emcabestar-co'-um-velho-assim.
(Sobem as guitarras a antecipar o clímax)
Que ele é malandro, é sim senhora.
mas não é por mal
Só gosta de beber seu copito
Mais-uns-dois-ou-três-e-tal.
Mas no fundo, no fundo
No fuuuuuu-u-undo
E homem frágil, coração mole
e na vida só anda direito
quando se equilibra no meu peito.
E a arritmia daquele coração
só sossega a descansar no meu
E malandra que o queira logo a ponho a andar
Que este malandro até já está a ressonar
Mas o malandro borracho é meeeeeeu!
Perlóim-Perlóim!


A partir de uma noite de fados. Ela trazia a mouraria à cintura, e os modos de falar da Alfama que a adoptou. Era alta, loura, madura jovem e de grande peito maternal. Abria a boca que era uma agressão à alma. Ele trazia na voz, e no equilíbrio trôpego, o cantar de quem já cantou bem, noutros tempos talvez. Jocosos não eram seus fados, mas sim o seu cenário. E enquanto ele cantava, encantando as mesas com o fado da ‘manhosa’, ela lançava-lhe piropos apaixonados de quem ameaçava levá-lo para casa nessa noite. E o que é certo é que eles saíram primeiro do restaurante. Nós ficámos agarrados às guitarras. Agora por falar nisso... quem é que terá fechado o restaurante nessa noite?
[Perlóim-perlóim]
O faduncho do malandro borracho
Eeeeeeeeee-aaaaaaAAi.
[Perlóim.]
Ainda-lá-vinhas-desajeitado
de sono mal acordado
Ainda-entortavas-a-calçada-meio-ressacado
Já meu peito pulsava
este fadinho apaixonado.
É sempre assim
Ainda o dia não rebentou
Já antecipo ao longe a chatice
E o caldo que entornou
[Aaaaai. Cuidado a atravessar essa estrada].
E de dares meu beijo, nada
Que passo por antiquada
De não confessar a timidez
Pá próxima saia como saia
Levas-co' estes-lábios-d-uma-vez.
[E se quiseres chama-me de danada.
Mas com essa idade tão avançada não-perdes-pla-demora.]
Lembro bem o dia do primeiro beijo
Perguntaste-o-que-fazia-quem-eu-era-
"que-mal-te-vejo"
que estavas com o alemão, e respondi,
se gostasses mais de mim [bis]
eu cá não me importava, não.
Aaaaaaaai meu malandro.
com-o-teu-jeitinho-desalinhado
Teu-parco-cabelo-desgrenhado
Me-deste-cabo-do-coração
E nunca mais eu me vi endireitar
Para outra direcçãaaao.
[Endireita a dentadura amori, olha as pessoas.]
Podias até chamar-me torta
E mentiras assim.
Para me entortar contigo
Até que endireitava
E-podes-crer-até-soava
a-doce-castigo-para-mim.
Que pra mal da minha boca
És um magano que desatina
Só perto dos teus lábios
ou da guitarra aqui do Zé
é qu'esta magana afina.
[Anda lá com essa guitarra Oh Zé]
(remate de conversa com trejeito de pescoço. Pausa pá guitarrada)
[Ora vamos lá a isto...]
E se essas outras mulheres
Perguntarem por ti
digo que és assim-assim
Mulher é bicho invejoso.
E nao fiando nesse falar dengoso
És viril, nobre, e forte
Lá à tua maneira, enfim.
Meu Deus, a sorte
De-emcabestar-co'-um-velho-assim.
(Sobem as guitarras a antecipar o clímax)
Que ele é malandro, é sim senhora.
mas não é por mal
Só gosta de beber seu copito
Mais-uns-dois-ou-três-e-tal.
Mas no fundo, no fundo
No fuuuuuu-u-undo
E homem frágil, coração mole
e na vida só anda direito
quando se equilibra no meu peito.
E a arritmia daquele coração
só sossega a descansar no meu
E malandra que o queira logo a ponho a andar
Que este malandro até já está a ressonar
Mas o malandro borracho é meeeeeeu!
Perlóim-Perlóim!


A partir de uma noite de fados. Ela trazia a mouraria à cintura, e os modos de falar da Alfama que a adoptou. Era alta, loura, madura jovem e de grande peito maternal. Abria a boca que era uma agressão à alma. Ele trazia na voz, e no equilíbrio trôpego, o cantar de quem já cantou bem, noutros tempos talvez. Jocosos não eram seus fados, mas sim o seu cenário. E enquanto ele cantava, encantando as mesas com o fado da ‘manhosa’, ela lançava-lhe piropos apaixonados de quem ameaçava levá-lo para casa nessa noite. E o que é certo é que eles saíram primeiro do restaurante. Nós ficámos agarrados às guitarras. Agora por falar nisso... quem é que terá fechado o restaurante nessa noite?
aqui basicamente-basicamente fala-se de
Fado
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