De tempos a tempos sou atropelada por súbitas preocupações acerca do que acontece aos homens que passaram pela minha vida. E um dos exemplos disso vem do meu último relacionamento:
- Joana... decidi fazer uma loucura. Vou saltar de pára-quedas. É amanhã. Se eu não conseguir, prometes que dás de comer ao gato? E lhe dás carinho e assim?
- Er...epá tudo bem. Mas tens a noção do preço a que está a ração para os bichos?... E porque raio é que o pára-quedas havia de não abrir?
- Sou de engenharia. É-me empírico que a vida é fodida.
- Hum. Ok.
- Mas já fui à internet pesquisar e já sei todas as 150 coisas que podem correr mal num salto.
- É. Tu realmente sempre foste muito organizadinho e metódico... Mas olha lá...o bigodes não sofre de gases pois não?... é que às vezes já é complicado por si só quando cá está a minha avó...
- ????!!!!! ... (Tit-tit-tit-tit-tit)
- Francamente. Uma pessoa a querer ajudar...!
10/28/06
10/1/06
The generation Gap OU Dos benfiquismos da vida privada à escolha de homem.
Cof cof cof... Estive a pensar melhor. A realidade é que mesmo com falta de tempo, excesso de trabalho e um computador em vias de ir para a sucata, ainda assim, não estou preparada para abdicar deste cantinho. Que não estou mesmo, c'o a breca. Ora vamos lá, que esta posta reza assim:
- Tio, posso fazer uma pergunta?..Tu que és homem, e és mais experiente...diz-me uma coisa, quando um rapaz nos...
- Bom, e esse rapaz é apreciador de futebol?...digamos.
- er...é-é. Dizia eu, quando um rapaz nos aborda e nos diz...
- Mas calma. Esse rapaz...e estamos a falar no campo das hipóteses... será um simpatizante ou sócio do glorioso?...er… digamos.
-...Benfiquista? Pois. Parece que é sócio desde os 3 anos.
- Ah bom! Porque é que não disseste logo filha?! Ora muito bem... estamos em condições agora para falar.
-??!!
- Diz diz. Venha lá a perguntinha.
- Bom, o que eu queria saber é: quando um rapaz...
-...um rapaz vindo de uma boa casa benfiquista, um lar sólido certamente, de gente de bem… sim sim...quando um rapaz...?
- @#*#@... nos diz " ah, porque eu dei feedback..e tu às tantas chutaste para canto". Que raio quis ele dizer com isto?
- Filha, o que ele quis dizer é que tu delineaste uma intenção de golo, ele percebeu a estratégia e respondeu adequadamente e tu depois em vez de te posicionares para o remate fizeste a bola sair pela linha de canto adiando a possibilidade de equilibrar o jogo e arrastando a angústia dos jogadores...percebes agora querida?
- Hum. Pois. Tio, mas agora em termos práticos: O que é que eu faço?...
- Parece-me um rapaz com intenções seriiiiíssimas. Certamente com imensa tolerância à frustração… portanto um companheiro dedicado mesmo em horas críticas. Sócio desde os 3?!... óh sobrinha...põe os olhos nesse homem. Pode muito bem ser o 'tal' (piscando o olho em surdina)
- TIO!... eu só tenho 12 anos caramba. Custa muito dizer "telefona-lhe" ou "não telefones"?!
- hum!???...
- Vou mas é ligar à Cidália.
-???!!!.... E... LIIIIIIIVRA-TE DE TE ENRRABIXARES OUTRA VEZ POR UM TRIPEIRO. LEMBRA-TE DO ÚUUUUUUUULTIMO!!... raios. Só nos dão preocupações.
Enquanto isso, no andar de cima:
-... por isso é como te digo filha. Não sejas tonta. Arranja um que te possa dar uma boa vida- sacundindo o tom imperativo com pancadinhas no braço que estava mais “à mão”..
- Ó avó! Que disparate! Isso nem parece conversa tua. Estamos na Idade Média?...que uma mulher dependa de um homem para viver realizada e estável?... Podes esquecer. Até porque eu já assumi há muito tempo esta minha tendência para só me fascinar por homens pelintras. Aliás...pode haver um teso a 8 kms, podes ter a certeza que é onde eu vou parar direitinha. Nada a fazer. Há um padrão perfeitamente identificado já.
- Ai filha, por amor de Deus... Para o que te havia de dar!
- Mas é perfeitamente pacífico. Além disso, caramba…eu sou uma jovem do séc. XXI...autónoma...espírito livre…cheia de projectos...com uma vida e uma carreira pela frente que só dependem de mim...alguma vez, eu...
- Filha...
- Sim.
- Tu tens vinte e sete anos e ainda moras com os teus pais.
- Sim. E...?
- …e escolheste psicologia. Queres mesmo continuar esta conversa?...
- …
- Tio, posso fazer uma pergunta?..Tu que és homem, e és mais experiente...diz-me uma coisa, quando um rapaz nos...
- Bom, e esse rapaz é apreciador de futebol?...digamos.
- er...é-é. Dizia eu, quando um rapaz nos aborda e nos diz...
- Mas calma. Esse rapaz...e estamos a falar no campo das hipóteses... será um simpatizante ou sócio do glorioso?...er… digamos.
-...Benfiquista? Pois. Parece que é sócio desde os 3 anos.
- Ah bom! Porque é que não disseste logo filha?! Ora muito bem... estamos em condições agora para falar.
-??!!
- Diz diz. Venha lá a perguntinha.
- Bom, o que eu queria saber é: quando um rapaz...
-...um rapaz vindo de uma boa casa benfiquista, um lar sólido certamente, de gente de bem… sim sim...quando um rapaz...?
- @#*#@... nos diz " ah, porque eu dei feedback..e tu às tantas chutaste para canto". Que raio quis ele dizer com isto?
- Filha, o que ele quis dizer é que tu delineaste uma intenção de golo, ele percebeu a estratégia e respondeu adequadamente e tu depois em vez de te posicionares para o remate fizeste a bola sair pela linha de canto adiando a possibilidade de equilibrar o jogo e arrastando a angústia dos jogadores...percebes agora querida?
- Hum. Pois. Tio, mas agora em termos práticos: O que é que eu faço?...
- Parece-me um rapaz com intenções seriiiiíssimas. Certamente com imensa tolerância à frustração… portanto um companheiro dedicado mesmo em horas críticas. Sócio desde os 3?!... óh sobrinha...põe os olhos nesse homem. Pode muito bem ser o 'tal' (piscando o olho em surdina)
- TIO!... eu só tenho 12 anos caramba. Custa muito dizer "telefona-lhe" ou "não telefones"?!
- hum!???...
- Vou mas é ligar à Cidália.
-???!!!.... E... LIIIIIIIVRA-TE DE TE ENRRABIXARES OUTRA VEZ POR UM TRIPEIRO. LEMBRA-TE DO ÚUUUUUUUULTIMO!!... raios. Só nos dão preocupações.
Enquanto isso, no andar de cima:
-... por isso é como te digo filha. Não sejas tonta. Arranja um que te possa dar uma boa vida- sacundindo o tom imperativo com pancadinhas no braço que estava mais “à mão”..
- Ó avó! Que disparate! Isso nem parece conversa tua. Estamos na Idade Média?...que uma mulher dependa de um homem para viver realizada e estável?... Podes esquecer. Até porque eu já assumi há muito tempo esta minha tendência para só me fascinar por homens pelintras. Aliás...pode haver um teso a 8 kms, podes ter a certeza que é onde eu vou parar direitinha. Nada a fazer. Há um padrão perfeitamente identificado já.
- Ai filha, por amor de Deus... Para o que te havia de dar!
- Mas é perfeitamente pacífico. Além disso, caramba…eu sou uma jovem do séc. XXI...autónoma...espírito livre…cheia de projectos...com uma vida e uma carreira pela frente que só dependem de mim...alguma vez, eu...
- Filha...
- Sim.
- Tu tens vinte e sete anos e ainda moras com os teus pais.
- Sim. E...?
- …e escolheste psicologia. Queres mesmo continuar esta conversa?...
- …
9/13/06
Meus amigos...de vós me despeço com muita amizade (entoação Engº Sousa Veloso)
Tenho pensado muito. Eu e a minha neurose...e chegámos à conclusão que outras prioridades emergem. Bom, a realidade é que a mãezinha descobriu este spot. E o meu pai também. E os meus amigos também. O meu mau feitio perdeu subitamente o brilho de se expandir no anonimato da blogoesfera com a garantia de que o feedback vem apenas de pessoas que não estão preocupadas em me engraxar. E isso chateia-me, oh diabo. Por outro lado, e em diálogo aberto com o meu espírito crítico, eu e ele, chegámos à conclusão que não temos nada de muito significativo a dizer de momento, e que nem sequer temos legitimidade para o fazer enquanto não me tornar mais uma jovem cidadã licenciada no terreno lamacento do desemprego. (suspiro) Àh!...Como eu anseio por desenhar bolinhas a vermelho nos classificados. Mas para isso há que criar as condições. Não se fazem omoletes sem ovos, é certo.
A verdade é que não deixo este cantinho (que tanto gozo-retorcido-privado me tem dado) com um pingo de lamento. Tenho a agradecer a muita gente que me acompanhou por aqui e na minha vida privada, que me inspirou posts, que os criticou, que me explicou como funciona um site destes; que me deu a conhecer um mundo da escrita para mim completamente novo. Tenho a agradecer aos que deixaram farpas e aos que não, sendo que a minha maior deferência irá claramente para os primeiros. Aos "mestres" e às "musas". Não vou referenciar-vos porque vocês sabem quem são e apenas isso é relevante. Mas obrigada. Um beijinho daqueles, a todos. E a verdade é que um blog tem o seu tempo. A própria circularidade da blogoesfera é que em grande medida refrigera e condimenta o equilíbrio deste ambiente. A verdade é que ontem em confidência o meu pai, algures entre o tacho do arroz de tomate e das pataniscas a fritar, dizia-me assim...
- Sabes filha... acho que isto da publicidade neste país já deu o que tinha a dar. Acho que vou criar um blog.
- ...
- Estava aqui a pensar. Já reparaste que as asneirolas tornaram-se a unidade de medida por excelência? Qualquer coisa é chata cumó Piiiiii.. ou então aquilo é bom cumó Piiii..ou ela é inteligente cumó...Piiii. Já não faz sentido falar em 'centímetros'...
- Pai acho isso muito bem. Mas essa já foi explorada. hehehe.
- Hum...(mexendo o tacho) Tenho de pensar noutra então... Pássa aí os coentros, se faz favor.
- Há toucinho do céu?
- Há pois!
A verdade é que não deixo este cantinho (que tanto gozo-retorcido-privado me tem dado) com um pingo de lamento. Tenho a agradecer a muita gente que me acompanhou por aqui e na minha vida privada, que me inspirou posts, que os criticou, que me explicou como funciona um site destes; que me deu a conhecer um mundo da escrita para mim completamente novo. Tenho a agradecer aos que deixaram farpas e aos que não, sendo que a minha maior deferência irá claramente para os primeiros. Aos "mestres" e às "musas". Não vou referenciar-vos porque vocês sabem quem são e apenas isso é relevante. Mas obrigada. Um beijinho daqueles, a todos. E a verdade é que um blog tem o seu tempo. A própria circularidade da blogoesfera é que em grande medida refrigera e condimenta o equilíbrio deste ambiente. A verdade é que ontem em confidência o meu pai, algures entre o tacho do arroz de tomate e das pataniscas a fritar, dizia-me assim...
- Sabes filha... acho que isto da publicidade neste país já deu o que tinha a dar. Acho que vou criar um blog.
- ...
- Estava aqui a pensar. Já reparaste que as asneirolas tornaram-se a unidade de medida por excelência? Qualquer coisa é chata cumó Piiiiii.. ou então aquilo é bom cumó Piiii..ou ela é inteligente cumó...Piiii. Já não faz sentido falar em 'centímetros'...
- Pai acho isso muito bem. Mas essa já foi explorada. hehehe.
- Hum...(mexendo o tacho) Tenho de pensar noutra então... Pássa aí os coentros, se faz favor.
- Há toucinho do céu?
- Há pois!
8/29/06
Primeiro verão em 27 anos Melga-free!!
Das duas uma: ou estou a azedar com a idade ou a vendetta do ano passado colheu os seus frutos. A segunda hipótese... claramente.
8/17/06
Porque eles merecem (CLAP! CLAP! CLAP!)
Tasca da Cultura, Cool, [0-0], Cunha...Esta é só para vocês! Por todos os momentos de boas leituras e 'boa onda' que proporcionaram. Tendes lugar cativo no meu bloggo'peito. Não mudem nunca. Vocês são lindos pá!LINDOS!...
uns queridos. É o que eles são. Tudo gente boa... (snif)
8/13/06
Querido Diário,
A Marta veio cá passar o fim-de-semana. Precisava de fazer uma coisa relaxante como ir para um Spa ou assim. “Eu quero é calor!!”- Disse-me ela. E eu fiz de imediato o convite: “Então vem para cá amiga. Não te vais arrepender”. Assim foi, e lá deixou a costa da Caparica pelos 40 graus do meu 4º andar de águas furtadas. Por momentos assustei-me um bocado. Vinha muito vermelha e fazia um esgar imperceptível. Já se sabe, esta gente da Costa não sabe o que é calor a sério. Alguma quebra de tensão. Enfim, os Spas normalmente também não são em 4ºs andares sem elevador e a Marta não faz exercício desde os 10 anos de idade porque aos 11 começou a fumar no pátio de trás da escola.
Como aquela miúda vinha carregada! Logo me apressei em abrir a porta e dar-lhe um abraço apertado. Arrastou-se um bocado, mas felizmente ainda consegui agarrar nela antes de desmaiar, a tempo de não bater com a testa no intercomunicador. Sabe Deus como aquele aparelho já funciona mal por si só, quanto mais… Diz o electricista que os 92% de humidade cá de casa interferem com os circuitos. Por isso todo o cuidado é pouco.
Depois de algumas inalações de ventilan e dois copos de água, começámos em beleza, e com uma sessão de corte: “Olha lá…tu sabes cortar cabelos?”. “Sei!” – Disse-lhe. Acho que até nem me saí muito mal para primeira vez, sobretudo tendo em conta que tive de usar uma tesoura daquelas para podar as unhas dos pés.
Nessa noite resolvemos arejar um bocadinho. Levei-a até ao Plateau. Sempre achei muito engraçado dançar aquelas musiquinhas dos Village People e da Gloria Gaynor. Ela não dançou muito. Passou o tempo todo atrás do pilarzito junto ao bar. Para esticar as costas possivelmente.
Quando a fui acordar no dia seguinte para irmos almoçar estava deitada numa posição rígida e olhos pregados no tecto. Transpirava que nem um cavalo de corrida e balbuciava coisas estranhas de modo arrastado. " Fo##@*** q' isto é pior que acordar numa tenda no meio do deserto". Estaria de ressaca? Não percebi.
Nessa tarde acedi em enchê-la de mimos. Comemos muito queijo fresco e ouvimos na comercial, "O meu blog dava um programa de rádio". O locutor lia os textos de um rapaz muito sozinho e muito triste com a vida, que ainda por cima era imigrante. Foi muito comovente. Acho que ela também gostou porque soluçava muito e dizia mal da vida. É a beleza destas coisas...um gajo identifica-se com aquilo. E ela sempre foi muito sensível.
Às tantas pediu-me: “Olha lá…não te importas de me arranjar os bigodes?”. E arranjou-se. O buço e as sobrancelhas. Ela ficou tão bonita!! E eu, que orgulhosa, por vê-la estupefacta a olhar para o espelho. Ela nem queria acreditar! Confesso que até me senti um pouco aborrecida que tivesse ido de óculos escuros para o café. O que é bonito é para se ver e, fora uns hematomazinhos de nada e as babas que hão-de desaparecer logo-logo, é engraçado verificar como quando se tira pelinhos em quantidade suficiente os olhos ficam logo com outra expressão. Os dela pareciam bem maiores.
Bom, é domingo e lá foi a Marta à vidinha dela. Despedimo-nos junto ao ecoponto. Por acaso cheirava um bocado mal ali. Cá entre nós, tive pena que ela se fosse embora tão cedo. À medida que enfiava as garrafas de plástico no contentor não pude deixar de reparar na minha amiga, carregando apressadamente a sua pesada Louis Vitton, e ajeitando os óculos que lhe escorregavam pelo nariz enquanto esbracejava ao motorista do autocarro. Sempre a correr, coitada. Acho que ela está mesmo é a precisar de descansar e de passar tempo de qualidade com os amigos.
Por isso tive a pensar... e decidi fazer-lhe uma surpresa no feriado. Já pus de lado uns casaquinhos de malha, que aquele ventinho da Costa nesta altura não é para brincadeiras. Acho que ela vai gostar. Até porque saiu tão à pressa que acabei por não lhe fazer a tal massagem tailandesa... Tss!
Como aquela miúda vinha carregada! Logo me apressei em abrir a porta e dar-lhe um abraço apertado. Arrastou-se um bocado, mas felizmente ainda consegui agarrar nela antes de desmaiar, a tempo de não bater com a testa no intercomunicador. Sabe Deus como aquele aparelho já funciona mal por si só, quanto mais… Diz o electricista que os 92% de humidade cá de casa interferem com os circuitos. Por isso todo o cuidado é pouco.
Depois de algumas inalações de ventilan e dois copos de água, começámos em beleza, e com uma sessão de corte: “Olha lá…tu sabes cortar cabelos?”. “Sei!” – Disse-lhe. Acho que até nem me saí muito mal para primeira vez, sobretudo tendo em conta que tive de usar uma tesoura daquelas para podar as unhas dos pés.
Nessa noite resolvemos arejar um bocadinho. Levei-a até ao Plateau. Sempre achei muito engraçado dançar aquelas musiquinhas dos Village People e da Gloria Gaynor. Ela não dançou muito. Passou o tempo todo atrás do pilarzito junto ao bar. Para esticar as costas possivelmente.
Quando a fui acordar no dia seguinte para irmos almoçar estava deitada numa posição rígida e olhos pregados no tecto. Transpirava que nem um cavalo de corrida e balbuciava coisas estranhas de modo arrastado. " Fo##@*** q' isto é pior que acordar numa tenda no meio do deserto". Estaria de ressaca? Não percebi.
Nessa tarde acedi em enchê-la de mimos. Comemos muito queijo fresco e ouvimos na comercial, "O meu blog dava um programa de rádio". O locutor lia os textos de um rapaz muito sozinho e muito triste com a vida, que ainda por cima era imigrante. Foi muito comovente. Acho que ela também gostou porque soluçava muito e dizia mal da vida. É a beleza destas coisas...um gajo identifica-se com aquilo. E ela sempre foi muito sensível.
Às tantas pediu-me: “Olha lá…não te importas de me arranjar os bigodes?”. E arranjou-se. O buço e as sobrancelhas. Ela ficou tão bonita!! E eu, que orgulhosa, por vê-la estupefacta a olhar para o espelho. Ela nem queria acreditar! Confesso que até me senti um pouco aborrecida que tivesse ido de óculos escuros para o café. O que é bonito é para se ver e, fora uns hematomazinhos de nada e as babas que hão-de desaparecer logo-logo, é engraçado verificar como quando se tira pelinhos em quantidade suficiente os olhos ficam logo com outra expressão. Os dela pareciam bem maiores.
Bom, é domingo e lá foi a Marta à vidinha dela. Despedimo-nos junto ao ecoponto. Por acaso cheirava um bocado mal ali. Cá entre nós, tive pena que ela se fosse embora tão cedo. À medida que enfiava as garrafas de plástico no contentor não pude deixar de reparar na minha amiga, carregando apressadamente a sua pesada Louis Vitton, e ajeitando os óculos que lhe escorregavam pelo nariz enquanto esbracejava ao motorista do autocarro. Sempre a correr, coitada. Acho que ela está mesmo é a precisar de descansar e de passar tempo de qualidade com os amigos.
Por isso tive a pensar... e decidi fazer-lhe uma surpresa no feriado. Já pus de lado uns casaquinhos de malha, que aquele ventinho da Costa nesta altura não é para brincadeiras. Acho que ela vai gostar. Até porque saiu tão à pressa que acabei por não lhe fazer a tal massagem tailandesa... Tss!
8/11/06
"Finalmente... lá vem ele, montado num cavalo branco para me tirar daqui!! IÚ-Ú!!"
Ela era uma menina de rua, com dioptrias acentuadas no olho esquerdo.
Ele, um GNR a fazer a ronda nocturna à volta do I.S.Técnico:
"- Boa noite... os seus documentos pessoais por favor."
moral da história: A vida não é nenhum conto de fadas. E nem todos os cavalos brancos trazem boa coisa a galope... e... normalmente cagam a calçada.
8/10/06
O da Joana regressou mais cedo. Curso...a quanto obrigas!
- tão e olha la pa... aquele teu trabalho da faculdade? Aquele com nome de exame médico...?
- Monografia Paulo. Mo-no-gra-fia.
- Isso.
7/15/06
O da Joana regressa em Setembro, ou talvez em Agosto. Outubro, se calhar. Epá, depende.
- Estou?
- Sim filha, sou eu.
- Oi mãe, então? Já há novidades?...
- Sim querida. O pai ligou-me agora.
- (...) E...?
- Ele já consultou a chave desta semana...E...oh filha...lamento, ainda não foi desta.
- Hum... ok mãe. Obrigada por teres ligado. Beijinho.
Tit tit tit...
- Bolas... estou mesmo a precisar de férias.
7/11/06
Apontamentos do dia-a-dia
Sempre achei um pouco perverso aquele pousar das moscas...aquele ávido esfregar de patas em frente ao meu camembert. Felizmente, parecem não gostar de vinho.
Mas dou comigo a pensar... não vá o diabo tecê-las, e se amigarem da broa de milho (as porcas!) talvez deva entrar em negociações, como o meu pai com aqueles bichos de pêlo e orelhongas grandes: ele não lhes toca nas cenouras, eles não lhe bebem o Whisky.
Sabe-a toda, o meu progenitor.
Mas dou comigo a pensar... não vá o diabo tecê-las, e se amigarem da broa de milho (as porcas!) talvez deva entrar em negociações, como o meu pai com aqueles bichos de pêlo e orelhongas grandes: ele não lhes toca nas cenouras, eles não lhe bebem o Whisky.
Sabe-a toda, o meu progenitor.
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