2/12/07

Da alegria que há na Almedina e na Fnac: Campanha de angariacao de fundos

Joana é uma jovem de vinte e sete anos. Joana podia ser sua filha, sua mãe, sua tia, sua irmã, sua enteada, sua namorada, sua dominatrix, seu cachorrinho, sua professora da primária, sua empregada na lavandaria, sua contabilista, advogada, ela podia ser o seu homem do talho, o seu bate-chapas, o homem do totoloto, o seu ponta de lança favorito, seu ódio de estimação, ela podia ser a sua empregada romena licenciada em geofísica espacial com doutoramento em arquitectura de interiores pela NASA. Joana poderia ter tido um nome que não fosse associado a um insecto que só tem sucesso sob a forma de cinzeiro, saboneteira, mochila, almofada, porta-fotografias, aventais eróticos e afins. Mas não. Até nisso teve azar. Joana é uma jovem quase-recém-licenciada... em Portugal.

Contribua você também para esta causa. Deixe o seu donativo com uma listinha aqui.

Hoje pelo meu fluorescimento intelectual, amanhã pode ser pelo seu!

Agora todos juntos... We are the wor'd ... we are the children...[enquanto abrimos caridosamente as carteiras]... we are the ones who make a better day so let's start giving.... GÍ-VÍIII-IIIII-IIIIIING (momento dramático das back vocals)... [ seleccionar no menú a função consulta de saldo]... There's a Choice you're makiiiiiiiiiiiiiiiiiiing (entra o Stevie Wonder... sai o talão)


Campanha 'Um beicinho a menos pela cultura'
Conta Caixa Geral de Depósitos: 0000006789012345























1/28/07

Mais uma...

da série Tudo aquilo que sempre quis saber e ninguém teve pachorra para lhe explicar : um ensaio (quase) etológico.


Desenganem-se. Aquilo a que uma fêmea aspira verdadeiramente não é um macho que saiba discutir com ela o Zodíaco, mas antes aquele macho-alfa que a obriga em segredo a ir ao dicionário. Isso sim, dá pica.

1/25/07

Síndrome do Cólon Irritável


Prometo que não volto a comer alheira de mirandela com batatas fritas e ovo estrelado às onze da noite

Prometo que não volto a comer alheira de mirandela com batatas fritas e ovo estrelado às onze da noite


Prometo-prometo-prometo que não volto a comer alheira de mirandela com batatas fritaseovo-ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai-aiai-ai-ai-ai-ai-ai...-Mmmunf!...ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai...àh!

1/23/07

Acho que tenho um problema

... que envolve queijo fresco e doses consideráveis de requeijão de Seia. Às vezes com uma cobertura de doce de abóbora e nozes picadas.
Tudo começou com uma simpatia platónica pelo rapaz da charcutaria. A maioria dos que lá iam procuravam a singela farinheira ou a morcela de arroz, e sabiam distinguir entre aquela da Beira e a do Alentejo. Eu não. Naquele dia entrava no estabelecimento à procura de bolacha torrada e um pacotinho de açúcar, apenas e só. Foi quando ele me disse lá do fundo do balcão: "Então e um queijinho, não vai?". "Er..." -balbuciei. "Olhe que este é daqui!"- insistiu o rapaz puxando o lóbulo da orelha. E eu que sempre tive uma simpatia particular pela orelha de um bom moço anuí, roborizada: "Bom, se é daí...então eu levo".
O tempo passava, e rapidamente sucumbi ao consumo diário de queijo. Em pouco tempo ele apresentou-me todas as variedades de flamengo e emental, o Feta para temperar a rúcula, aqueles mais sofisticados para consumir disfarçadamente em festas privadas com os amigos e, como quem se mete no queijo acaba inevitavelmente derretido, não tardaria a cair nos amanteigados regionais, agora já sem qualquer possibilidade de redenção. É. Foram os quatro dias mais longos da minha vida.
Vendo-me tão dependente e, acima de tudo, bom... tão gorda, o rapaz deu-me o seu golpe de misericórdia, e num dia já depois do horário de expediente, alumiados apenas pelas montras de refrigeração temperadas pelo cheiro a presunto espanhol, ele disse-me: "Miúda, tu toma-te conta. Fica-te pelo queijo fresco e pelo requeijão, que isto é material que não faz mal a ninguém". Famous last words, imediatamente antes de fugir para o sul de frança com uma manequim anoréctica, já muito janada em Roquefort.
Destroçada e de queijo na mão, engoli o desgosto inteiro, sem sal nem pimenta, nem nada. Mas como dizia o tal Pavlov, uma vez retirado o estímulo persiste o comportamento condicionado. Já não me lembro do nome do rapaz e a única recordação que mantenho do seu lóbulo orelhal é uma camada absolutamente absurda de pêlos, cujo alvoroço passional daquele momento não me permitira ver, mas a queijice, essa continuava.
Hoje percebo que não há como voltar atrás, que tenho de me virar para a compota ou para a marmelada, mas o caminho para o recovery é tortuoso e difícil. Um dia de cada vez. E portanto, decidi começar pelas sessões de grupo. Hoje vai ser o meu primeiro dia.


- Er... Boa noite, o meu nome é Joana, e bom...

- Mmmmmmmmm...Oláaaaaaaaa Joaaaaaaaaana (coro!)

-... Olá-olá...bom, eu sou viciada em queijo. Pronto, está dito.

- Sim Joana...hehehe...pois. Sabes que nós, viciados em sexo, por vezes escamoteamos o nosso problema com humor, mas na realidade não há problema algum em...

- COMO?!..Não. Devo-me ter enganado na sala concerteza, então até loguinho sim?

- Joana-Joana, nós sabemos bem que ninguém aqui se enganou na sala, não é grupo?...

- Mmmmmmmmmm... Siiiiiiiiiiiiim Joaaaaaaaaaaaaaana (Coro!)

- ... Há coisas difíceis de admitir eu sei. Mas experimenta desta vez ficar só a assistir. Aceitas um cafézinho e uns canapés de queijo serpa?...Vá.

- Er... (DWOP!!!) uns dez minutinhos então.




1/21/07

I'm late... I'm late!!!

Entrar na contagem decrescente para a defesa do nosso trabalho de fim de curso é uma coisa gira por acaso. É giro, cansa e nunca gastei tanto dinheiro em papel. O chão do meu quarto amontoa uma amálgama de fichas de leitura, post-its, cópias e livros originais onde pulsam bruxas e lobos maus, heróis míticos e papões, o DSM-IV e estudos de Damásio. Escritos com poucos meses de existência parecem agora velhos, de tão manipulados que foram. Sabe bem, mas ardem-me os olhos do cansaço... e a mão direita, porque acabei de me queimar no aquecedor. Mas o frio e o cansaço não é nada que não se consiga tolerar com 2 ou três mantas, um belo balde de café e os meus cuvettes* enfiados num alguidar com água quente. Difícil mesmo é conseguir escrever envolta em tanta tralha.
(...) Por momentos poderia jurar que acabei de ver um coelho branco saltar que nem um fuso do livro do Carroll queixando-se de um atraso qualquer. Um ar um bocado emproado aquele coelho, por acaso.

*cuvettes- vulgarmente conhecidos pelos seres vivos de sangue quente como pés.

1/14/07

Parece mentira...


- Como ele tá grande, vejam bem... Já dois anos, o magano. Parece que ainda ontem andava aí a mandar as primeiras postas de pescada. Ai, como eles crescem...

1/3/07

Decisões de ano Novo (auto-Memo)

- Não voltar a tomar decisões de ano novo. Que seja a última vez.

- Acabaram-se as contribuições para a associação dos sem-abrigo. A julgar pelo 'presente' que um deles deixou à porta no dia 25, devem andar a comer lindamente.
(Há bolos-rei mais pequenos...)
- Dar mais assistência às avós e passar mais tempo em casa. Ou então simplesmente sentir-me mais culpada e sair na mesma, também dá.

- Socorrer-me de tudo o que foi descoberto até à data para abusar dos tempos de intervalo na empresa. Usar da criatividade e mobilizar o espírito de equipa na descoberta de novas: explorar o conceito de impacto e amortecimento de quedas no enquadramento de um primeiro andar e chão em calçada portuguesa.

- Comprar o piano da Yamaha de 130 euros. Nota: não esquecer de negociar as prestações.
Verificar se a professora de piano da primeira classe ainda está viva. Se sim, deixar uma subscrição com morada na IURDE mais próxima. Procurar o professor de piano mais giro que o amor pela arte pode comprar.

- Não ceder à pressão de trocar de telemóvel, comprar carro/mota nem de sair de casa. Estás tesa como em 2006, ainda que o horóscopo do Paulo Cardoso diga o contrário.

- Ler mais, ler muito! Ler de tudo o que não tem a ver com psicologia. Finalmente depois de acabado o curso vais poder recuperar anos de leitura, enquanto desenhas bolinhas a vermelho nos classificados.

- Aumentar o consumo diário de café. Parece que faz mal ao coração mas combate a celulite.


- Comprar uma cigarreira, que já vai em boa altura.
- Anular o cartão do ginásio. Sejamos realistas.

- ...e por último, arranjar uma agenda rápido. Esta história de usar o blog para lembretes é patético Joana.

12/18/06

Alô?...Alô?...

Numa linha telefónica de apoio a situações de emergência:


- ... Compreendo minha senhora. E, está a ligar-nos de onde?

- Da casa de banho...

- hum... Talvez não me tenha feito entender...

- Do meu telemóvel. Estou a ligar do meu telemóvel.

- Referia-me à cidade, distrito. Liga-nos de que zona do país?

- Não não. É de Portugal mesmo.

- Minha senhora, procure ouvir-me. Quando tem de ir ao Hospital onde vai?

- Ter com o médico, claro.

- (... Cof cof...desisto.)... D. Fernanda não é?! Se me der um momento vamos transferir já-já a sua chamada.



Contacto seguinte:



- Boa tarde, em que posso ser útil?

- Olhe! Não pode pôr aquela musiquinha outra vez?

- Música... ?!

- Sim sim. Aquela música sem letra que estava a dar antes da menina começar a falar...Não pode pôr outra vez? É que a minha filha gostou muito.

- (...)

- Tou-tou?!

- ... É Vivaldi minha senhora. Julgo que não terá dificuldade em encontrar numa Fnac.

- Tá. Obrigada!!!... Tit-Tit-Tit-Tit-Tit-Tit.










12/12/06

Deus Nosso Senhor deve andar por aí, mas andamos desencontrados. Talvez seja melhor Ele me deixar um post-it a agendar encontro.

Ando numa crise espiritual, vai pra 15 anos. E por toda a parte se articulam sinais como me culpabilizando do meu "afastamento" da fé; por ter optado por namorariscar em vez de seguir avante com o meu projecto inicial de ser uma noiva de cristo e por ter feito uma guerra sem precedentes para trocar o colégio de freiras pelo liceu da minha zona. 

Por todo o lado no meu quarto se espalham artigos de merchandising da religião católica, estrategicamente posicionados pela minha avó, para que esbarre com eles com toda a frontalidade. Geralmente chego mesmo a tropeçar e caio. Sou um bocado desastrada. Antes fossem t-shirts mas a oferta mais recente foi um missal, o que permanece um mistério sinuoso à minha pessoa dado que não vou à missa, e cantar só mesmo no banho. 

Bom, o missal veio juntar-se a toda uma panóplia de objectos, instrumentos de doutrinação da minha querida avó, e cuja entrada no meu quarto goza da conspiração da minha progenitora, que se denuncia sempre que todos os anos profere aquela frase: "Então filhota?..Queres ir comigo e com a avó à missa do galo?"... "Comigo e com a avó", atentem. Pacto denunciado. É geralmente nessa altura que, nos últimos três anos, já estou de casaco e mala ao ombro fechando a porta atrás de mim com o consentimento silencioso (ou nem tanto) dos homens da família que já ressonam em frente à película que corre distraída no canal 1, alheia ao facto de ter perdido a audiência logo ao primeiro bloco publicitário.


O Natal em família não é algo que muito valorizo: o ritual da consoada, as piadas à mesa, e o calor que isso tem. Contudo, os primeiros roncos e as mantas de xadrez enroladas em pernas de gente adormecida e gatos ronronantes, marcam o sinal sereno da hora da retirada. Necessariamente, esse foi um momento já devidamente apreciado nessa tarde, a seguir ao almoço violento composto por um qualquer perú recheado, bem regado com um vinho da região demarcada do Douro. Sigo, portanto, e com uma sensação quentinha.


Mas falava de pactos antes de falar do Natal. Falava de objectos como o tal missal, que carinhosamente guardo numa caixinha onde o tempo foi acumulando por camadas coisas como a Biografia do Santo Papa, a História da Santa Rita de Cássia, A bíblia (edição revista e melhorada), água benta e crucifixos de toda a ordem e feitio. Faltaria um molhinho de alhos, e teria de perguntar à minha generosa avó o que julga ela que eu faço até altas horas da noite na rua, para descansar as preocupações da pobrezinha.


Mas os exemplos de tentativa de doutrinação não se esgotam em casa... Nãaaaaao! Certo é que assim que atrevo o nariz fora da porta confronto-me com um salão de testemunhas de jeová, com uma casa de culto da IURDE, duas Igrejas baptistas evangélicas, uma loja de artigos de mães e pais de santos, yemanjás e cú-rrú-cú-cús afins, e consoante os dias da semana cruzo-me com aqueles mocinhos muito engomados que se chamam todos Elder sem "H". O meu momento de descanso é nos transportes...quando não tenho azar, porque aparentemente sou um íman para taxistas jeovás. Chegada ao destino, e tal como voces, geralmente sou atropelada violentamente por revistinhas, que maliciosamente se movimentam aos pares para fazer duras placagens aos jovens estudantes que por ali passam já de si carregados com malas, livros e portátil. No outro dia, já de regresso a casa, estranhava eu o facto de há muito não ser abordada na rua por estas pessoas, e sujeita a conversas que acabam sempre mal, quando ao sentar o meu real rabiosque na paragem...

- A menina permite-me que lhe fale de amor..?
- ai.
- ...porque o reino do Senhor...
- Ah!...
- Não quer ler? São as palavras que ele nos deixou.
- Minha senhora, não me leve a mal mas eu tenho formação cristã.
- CRISTÃ? Mas eles nem sabem dizer o verdadeiro nome do Deus...
- Pois, não sei. Eu cá normalmente trato-o por tu. Sei que ele não me leva a mal. Sabe, nós ate que nos dávamos bastante quando eu era miúda...
- Essa gente nem sabe dizer o que nos espera no reino dos céus!!!
- ...e alguém sabe?
- O nosso Deus sabe!... ele diz-nos que os pecadores serão castigados pelo fogo -agitando um dedo perdido algures entre a argumentação e as ameaças aos ouvintes desinteressados- Os pecadores serão castigados e os bons de espírito serão premiados!!!
- Irra, que estas paragens novas...chove mais cá dentro que lá fora- Assinala-me divertido um senhor de alguma idade, afastando sem maldade aquele assunto.

- É verdade. Só são bonitas para pôr publicidade, não é? - Respondi, devolvendo a boa disposição.
- Já lá vem. Adeus menina. Um bom natal.
- Obrigada, um bom natal também para si.
- Fique com Deus.

- Mmmm (sorriso) 





12/4/06

Já todos têm folha... podem começar o exaaaaame!

Hum... Deixa cá ver o que é estes gajos se lembraram desta vez..."Leia as questões com atenção."..Blá-blá..."descreva todos os raciocínios... apresente todos os cálculos necessários" ... yada-yada... "exame com duas páginas... boa sorte!"...obrigadinha, uns queridos...Ora: "Desenvolveu-se um estudo com o propósito de verificar a possível relação entre a habilidade cognitiva e a área de conhecimento"...hum..."foram seleccionados aleatoriamente alunos dos cursos de Psicologia e matemática"... mau!!..."foi calculado o rendimento médio geral avaliado numa escala de 0-10" ... deixa cá ver os gráficos...hum...olha-olha... estão bem mais bonitinhos que o exame do ano passado, sim senhor. Deixa cá ajeitar os óculos. Isto serão outputs do SPSS?... Olha gostei! ...portanto, "foi ainda perguntado a cada aluno quando iniciou e após dois anos de frequentar o curso, quais as expectativas de encontrar um bom emprego"...Ah! Tenham dó...Não se faaaz. Deixa cá ver a última pergunta...Mmmmm....mais para baixo..."7. Os investigadores consideram que, quando os alunos estão a frequentar o curso as suas expectativas de encontrar um bom emprego são inferiores às expectativas quando iniciam o curso. Verifique se esta suposição é verdadeira, assumindo um alfa de 0.005??!!!!.." Tipo... DUH-UH!!... A-LÔOO!?

- Psst... Já viste bem o ridículo destas perguntas?...
- Shiuu! Vira-te prá frente pra me tapares as cábulas.

É por estas e por outras que sempre me senti uma inadaptada no sistema de ensino.