5/28/06

Nem sempre " quando o homem sonha, o mundo pula e avança"...às vezes simplesmente tropeça. Larai-larai-...

Nos últimos tempos o sono não me tem dado descanso. Para gáudio da minha analista a coisa tem sido profícua em material onírico...tipo, tenho sonhado muito e assim. Mas pergunto-me sempre onde se situa o bom senso e discernimento acerca das potencialidades e limitações do sonho? o que é que interpretável e material relevante acerca do nosso mundo interno e o que será puro lixo psíquico do dia-a-dia?
Sei que ontem me deitei, e quando dei por mim a D. Júlia -aquela Srª que faz uma manteiga de alho pornograficamente boa- estava à porta do seu tasco a providenciar-me com um carinho (de qualidade quase maternal) um tupperware king size com erva do melhor. A tampa era azul escura e estava ligeiramente côncava, não por ter ido à máquina muitas vezes mas pelo volume denso do material fumável. Não fosse o diabo tecê-las mais valia levar farnel pó caminho. Quem tem uma D. Júlia tem tudo. No entanto, preocupada que estava em não passar a noite na choldra..porque afinal de contas um tupperware daquele tamanho, e de tampa azul, podia dar um bocadinho nas vistas em pleno bairro alto pensei cá para mim: Joana filha, o maior disfarce é andar às claras. Então achei melhor pedir boleia para casa logo ali ao primeiro PJ que encontrei na esquina. " Isto anda um perigo Sô guarda, não se importa? Sinto-me mais segura."

Sempre gostava de saber como é que ela ia interpretar isto...que gostava.

5/27/06

Pais, crianças e arte: post de assumida divação mas com princípios claramente definidos

Deve ser algum vírus que anda para aí a circular mas subitamente uma série de amigas minhas e respectivos companheiros resolveram engravidar. Não terá sido certamente pela recente anunciada politica incentivadora da natalidade; e que eu saiba a história da cegonha foi refutada há algum tempo, logo, tudo me leva a crer que é vírus. Guerra Biológica. Não há outra explicação. E abençoada! Graças a ela vou ser tia, o que muito me alegra.

Ora esta história dá que pensar. Não muito, é certo. Mais uma vez, o suficiente apenas para um post em época de carestia intelectual da autora.
Vejamos, fêmea que é fêmea gosta de criancinhas. E quando isso não acontece ou ela é gay-chic-executive-bitch ou é aquela psiquiatra que ‘nunca quis trabalhar com crianças porque não gosta’, anda há 15 anos a cheirar a pele de um divã e kleenex de alfazema; e nos natais é aquela que se senta o mais longe possível dos infantes e o mais perto possível das garrafas de Porto. Fora estes dois casos, toda a mulher se contorce internamente com a ideia de uma criança. O instinto maternal, o relógio biológico e todas essas ‘ferramentas’ inatas que nos fazem crer ser monopólio do feminino são garante disso mesmo.

Eu cá não acredito nisso de modo tão linear. O instinto de cuidar é classicamente imputado ao género feminino no entanto os pais de hoje em dia são prova irrefutável de que a paternidade e a intuição associada parte apenas da disponibilidade afectiva para investir num bebé que se ama, e de forma alguma isso é ditado pelo sexo. Homem que seja pai dos meus filhos está aliás tramado, há-de andar de bolsa marsupial e tudo. Nem que seja porque é queridinho. E porque é um afrodisíaco natural. Mas o melhor disto tudo é que acredito que ele há-de ser o primeiro a querer fazê-lo, e isso torná-lo-á ainda mais apaixonante aos meus olhos. (pessoal, tomem notas se necessário.)

Mas eu queria mesmo era discorrer acerca da minha profunda incompreensão acerca da arte de Anne Geddes. Bem sei que sendo mulher, corro riscos ao dizer isto de ser enxovalhada pelo público feminino mas é um facto que o trabalho desta fotógrafa tem-se revelado algo sinuoso à minha compreensão. E acredite o(a) leitor(a) que dificilmente alguém gostará mais de crianças do que eu. Prova disso é o imenso currículo que construí a cuidar dos filhos dos outros… (incluindo alguns homens que passaram na minha vida.)

Assumindo que o homenageado ali é o bebé, onde estará o prestígio quando não se distingue se a estrela é um recém-nascido ou um tubérculo?! Qual é o valor acrescentado para a criança de ser fotografada em cima de um fungo que terá muito poucos méritos para além de ficar fantástico com molho de natas? Alguma vez ocorreu ao leitor como é que a artista faz para equilibrar uma cabeça que não se aguenta direita nem sequer quando bate o sono das 10.30 da manhã quanto mais naquelas posições esquisitas? Qual é a beleza de fotografar uma pequenota de meses sob a tortura de lhe apertar um laço vermelho na cabeça, espetar-lhe com um foco de luz quentíssimo em cima, obrigá-la a não chorar apesar de estar separada do seu amigo patinho de borracha e como se não bastasse… COMO SE NÃO BASTASSE… enfiá-la numa abóbora como se fosse a coisa mais natural do ciclo da vida?!

Podem dizer que Anna Geddes criou uma estética muito própria, o que é verdade. Mas pergunto-me: e o que é isso nos acrescentou na forma de ver a criança, naquilo que realmente lhe é único? Porque é disso que a fotografia artística trata certo?... de lógicas inovadoras de ‘ver’ a realidade.
E ainda se chocam que a maioria dos homens tenha conteúdos eróticos e pornográficos nos seus computadores…! Ao menos um ficheiro chamado “orquídea selvagem” não engana ninguém. Seguramente que ali não há tentativa de ‘encenar’ arte alguma.






Não que eu tenha pornografia no computador, atenção.



...não que houvesse algum mal nisso.

...mas não tenho mesmo.






5/24/06

A (des)conversar é qu' a gente s'entende!


- …Então ele olhou-me bem fundo nos olhos e disse-me: “Sabes…nunca soube o que era melhor, se sexo… se mijar à rasquinha. Até tu entrares na minha vida”…e beijou-me apaixonadamente.

- Isso sim amiga, é amor. Mas na dúvida mantêm debaixo de olho as idas deles ao w.c. Nunca fiando.

- ...E no outro dia íamos de mão dada pela rua e ele diz-me: “Basta respirares para que me apeteça puxar-te para um beco escuro”

- Er…pois…então, isso pode ser um bom sinal. Há claramente química entre vocês.

- Pois, tanto que no outro dia a menina dos bilhetes apanhou-o de calças na mão no cinema. Sabes como é…não estava ninguém…sessão da 00.00. Ainda por cima ali não há pipocas…

- Er…

- Ele é um querido sabes… um cavalheiro. É tão atencioso que passa a vida a espantar tudo o que é insecto que pouse nas minhas calças. Às vezes vamos na rua e sssssspá…é com cada chapada. Acho que ele exagera um bocado nas palmadas, mas o homem deve detestar mesmo os bichos, se visses a gana com que ele cerra os dentes. "Ai quando te apanhar a jeito, até vais voar". Um sentido de protecção com a minha pessoa!...Eu que sei.

- Sério?...glup. Hum hum…Diz-me uma coisa amiga. Onde é que tu o conheceste mesmo?!

- Foi num grupinho…

- (ufa!) Tou a ver. Amigos em comum…algum aniversário certamente.

- Não…daqueles grupos de ajuda…qualquer coisa a ver com sexo.

- Oh Joaaaaana !!

- Ok ok. Agora a sério então. Ele é meu paciente, sem stress.

- Deves ter a mania que és engraçada!!!...E fazer um blog...não?!... Hummpf!


5/19/06

Gozem à vontade...Vá!



...mas até há poucos anos parecia-me muito óbvio que este fosse o sinal internacional para W.C.

...EU, sei que vou sempre à rasquinha...

(Ainda o Jung falava de Inconsciente Colectivo... Bah!)

5/16/06

E por (não) falar nisso...

Pergunto-me se a linguística e a Semiótica, face às novas fronteiras da comunicação, se deterão durante a próxima década com a questão da tonalidade emocional nos ícones-smilies, auxiliares de conversação no Messenger, e suas derivações.
Quando é que o lol perdeu a sua carga impactante e deu lugar ao looooool, ao lolololololololol...ou até mesmo ao LOLÃO?

Coisas que me matam a cabeça.

5/14/06

And now for something completly different...

...Porque sim. As boas coisas da vida são para ser partilhadas; e porque vem aí o verão e isso. Vai bem com churrascos à beira da piscina, festas a dois no jacuzzi, ajuntamentos com os amigos e qualquer ocasião onde haja um bikini à mão e uma caixa de party & company. Ou cartas.

Sangria de Espumante/ Champagne

Ingredientes: champagne; refrigerante de limão na proporção de metade da quantidade do champagne; lima; limão; laranja; morangos; 1 cálice de gin ou de licor blue coracao (consoante se queira mais ou menos doce. É facultativo); muito gelo moído; folhas de hortelã; pau de canela e açúcar q.b.

1. Num recipiente largo deitar o champagne e o refrigerante. 2. Adicionar a fruta cortada em pedacinhos pequenos e o açúcar. 3. Juntar gelo. 4. Deitar um pau de canela, algumas folhas de hortelã e o cálice de gin/licor (facultativo). 5. Tapar e deixar durante alguns minutos. Rectificar o açúcar e servir bem gelada.

É favor provar e deixar opiniões, copos vazios ou cascas da fruta na box aí em baixo e/ou na caixinha do correio. "Bem aventurados os que partilham, deles será o reino dos céus". A ideia era mais ou menos esta não era?...

5/12/06

Hoje estou inconsolável...

...e nem todas as empadas de seitan da Espiral me fariam alegrar. O Café Império, esse ex-libris da cidade de Lisboa, fecha as portas amanhã depois de mais de 50 anos a servir aqueles bifes emblemáticos. Há muito que não ia lá, é certo, mas há aquelas referências na nossa vida que nos habituámos a situar 'ali' e a tê-las como garantidas. O Império estava para a cidade de Lisboa como a Cher estava para a música...simplesmente não desaparece. Lembro-me de ser ainda um projecto de gente e já lá ia ao bifinho, navegando ilegalmente um pedacinho de pão no molho do bife do pai e roubando batatas à mãe. Foi lá, o meu primeiro pudim flan. Continua mau, mas foi o meu primeiro. Tudo no café Império me evoca a infância. Até o senhor que ainda hoje lá está a engraxar os sapatos aos clientes, ele e o cheiro daquela graxa estão na minha memória e actualizam-se nela de cada vez que lá entro de fugida e reparo que aquele homem parece indiferente ao tempo que passa por ele. Tem tantos cabelos brancos como quando eu tinha 5 anos. O Senhor da tabacaria é o mesmo que há tantos anos vende um maço de winston ou o totoloto ao meu pai, ao meu e a tantas outras pessoas ali.
A saudade que eu vou ter daqueles bifes e daquele molho, que tem o sabor da minha infância. Ontem fui lá despedir-me deles e teve um sabor especial. Há paladares impossíveis de esquecer.

5/10/06

Da existência de Deus OU o porquê de um loft com mezzanine e vista para uma vida própria- Post claramente neurótico.

“Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”. Certo. Se assim é, e se o homem por si só é tão complexo, que meandros poderão tecer o psiquismo do seu criador?
Sejamos irreverentes: o Magano ‘dá-lhe bem’ na neurose, hein? Se assim não fosse não tinha abatido sobre mim a sua ira no dia em que puerilmente fui ajudar numa sessão fotográfica de nús numa quinta abandonada. A outra é que esteve de mamas ao léu, e eu é que levei com a punição do superego divino trazendo a recordação de ter sido vampirizada por uma colónia de melgas. Sim, o inchaço melhorou bastante, obrigada sr. Leitor. Já tenho novamente dois braços, apenas.

Chego à conclusão que o Criador além de uma enorme falta de sentido de humor, não respeita a arte; e só por isso já não o vejo muito direito. Contudo, por outro lado, só alguém de humor aguçado poderia ter criado o homem e só uma entidade com um sentido estético apurado poderia ter criado a mulher. Mas como em tudo na vida, esta é a fronteira em que dá jeito haver modelos científicos que explicam tudo e mais um par de botas, esse terreno lamacento onde a crença não chega, nem o bloguista mais parvinho.

Parece haver também claros indícios de uma linhagem psicótica na sua personalidade. Aquela mania que Ele, lá porque é Deus e coiso, está em todo o lado e mai’ não sei o quê, vê e ouve tudo, remete claramente para os delírios paranóides e megalómanos.
Se tivesses o azar de andar cá por baixo mais vezes já estavas a dormir numa sala acolchoada e a levar choques eléctricos que até andavas de lado!
(Eu sei, eu sei. Mas nós tratamo-nos por tu.)

Quanto à mania de evangelizar o mundo, custe o que custar… “Porque se conseguir chegar a cada um …”- claramente obsessivo. Aposto que ele lava as mãos 4567 vezes por dia, conta as nuvens e as estrelas compulsivamente, e passa os trapos a ferro acima dos 60 graus para queimar tudo o que é ácaro. Não o censuro, é preciso entreter a cabeça para não pensar naquele 7º dia e nas implicações que isso teve. É o que dá dormir na forma. Em pouco mais de uma semana deu-se cabo de um paraíso. No âmbito dos traços fetichistas: claramente voyeurista. Só alguém com um fetiche dessa ordem se pode dar ao luxo de estar há tanto tempo a observar à distância uma humanidade tão insuportável. É de uma lata inqualificável…e de tal modo fétichista que só ele é que goza.

Depois essa coisa do ‘meu filho, que te crio à minha imagem e semelhança’… ora, esta ‘relação em espelho’ é de uma simbiose execrável. Em vez do Homem SE olhar ao espelho e descobrir-se, dar largas à sua liberdade de ser maior…não. Olha por comparação para uma imagem de quase-perfeição à qual nunca pode ascender (e que por isso compromete a priori a auto-estima existencial), mas por outro lado também não se consegue separar dela…porque depois o fulano também é chatinho e não descola: tá lá… a fantasmatizar a nossa cultura. Já não suporto aliás ouvir aquela do ‘Deus é o Senhor’. Peço desculpa pela apropriação mas citando o Bidé dá mesmo vontade de responder: Raios! “ Já disse que não sou eu !!”. Falamos então, neste plano, de narcisismo e de relações que servem a fusão de identidades não deixando o homem crescer rumo à individuação libertadora: mais uma prova portanto dos traços de psicose do ‘avoando’ sem asas lá de cima.

Desdobrando tudo isto, o profundo mau feitio com que me vejo face ao divino por paradoxo à minha crença profunda que existe sim algo de divino, mas apenas na interioridade humana (e as artes são para mim demonstração máxima disso), vejo-me na obrigação de achar que possivelmente Deus não é chalado da pinha - se bem que adoraria que ele passasse pelo divã um dia - parece-me é que Ele surge a partir do desajuste. Não o Seu desajuste, não o da nossa própria psicopatologia, mas do nosso desequilíbrio saudável, e necessário, face ao mundo. E com isso eu consigo aguentar pacificamente a minha existência pecaminosa sem ansiar por um T-1 ou um loft com mezzanine lá por cima. A bem dizer, com um senhorio deste calibre, mais vale esforçar-me para ter casa própria. E se com isto merecer o purgatório… olha… Que Deus me perdoe. Mas a vista da minha janela é só minha, e é tãaaao fixe.